
O resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado neste domingo (25), apresentou um cenário diferente daquele indicado numericamente por cinco pesquisas eleitorais divulgadas antes da votação. Os levantamentos de AtlasIntel/Bloomberg, Quaest, Datafolha, BTG/Nexus e Palver colocavam Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entretanto, a apuração confirmou a vitória do petista, contrariando a liderança numérica apresentada pelos institutos.

Com 99,99% das urnas apuradas, Lula aparecia reeleito com 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro registrava 48,21%. A diferença de 3,58 pontos percentuais mostrou que o resultado efetivo foi favorável ao presidente, apesar de os cinco levantamentos analisados terem apresentado o adversário na primeira posição.
Entre as pesquisas, a AtlasIntel/Bloomberg apontou Flávio Bolsonaro com 50,8% dos votos válidos, contra 49,2% de Lula, considerando margem de erro de um ponto percentual. A Quaest, por sua vez, registrou 51% para Flávio e 49% para Lula, com margem de dois pontos percentuais, caracterizando empate técnico.
Datafolha, BTG/Nexus e Palver também mostraram Flávio à frente
O Datafolha apresentou o mesmo cenário numérico da Quaest, com 51% das intenções de voto válidas para Flávio Bolsonaro e 49% para Lula. A margem de erro divulgada foi de dois pontos percentuais, o que também indicava uma disputa estatisticamente equilibrada.
Já o levantamento BTG/Nexus mostrou Flávio com 50,5% e Lula com 49,5% dos votos válidos, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Na simulação realizada pelo instituto com eleitores considerados prováveis, o candidato do PL alcançava 52,4%, enquanto o presidente registrava 47,6%.
A Palver também apresentou vantagem numérica de Flávio Bolsonaro, com 50% das intenções de voto totais, contra 49% de Lula. Nesse caso, a pesquisa utilizou uma base de comparação diferente dos percentuais de votos válidos apresentados pelos demais levantamentos. A margem de erro informada foi de 2,2 pontos percentuais.
Qual pesquisa chegou mais perto do resultado?
Considerando exclusivamente os percentuais de votos válidos apresentados, o BTG/Nexus foi o instituto que mais se aproximou da votação de Lula. A pesquisa estimou 49,5% para o petista, diferença de 2,29 pontos percentuais em relação aos 51,79% registrados na apuração praticamente concluída.
A AtlasIntel/Bloomberg apresentou diferença de 2,59 pontos percentuais em relação à votação de Lula. Quaest e Datafolha, que estimaram 49% para o presidente, ficaram 2,79 pontos percentuais abaixo do percentual registrado nas urnas.
Apesar dessas diferenças, é necessário distinguir a liderança numérica da interpretação estatística dos levantamentos. Uma pesquisa que apresenta determinado candidato à frente dentro da margem de erro não necessariamente estabelece que ele vencerá. As margens divulgadas indicavam incerteza sobre a posição dos concorrentes.
Resultado reacende debate sobre pesquisas eleitorais
A divergência entre os percentuais centrais das pesquisas e o resultado das urnas recoloca em discussão os desafios enfrentados pelos institutos para medir a intenção de voto em disputas equilibradas.
Pesquisas eleitorais representam estimativas obtidas a partir de amostras de eleitores, enquanto a apuração contabiliza os votos efetivamente registrados. Diferenças podem decorrer de fatores como composição da amostra, comparecimento às urnas, decisões tomadas nos últimos dias de campanha e limitações estatísticas.
No caso do segundo turno de 2026, o ponto em comum entre os cinco levantamentos apresentados foi a vantagem numérica atribuída a Flávio Bolsonaro. Nenhum deles colocou Lula à frente em suas estimativas centrais, embora os resultados de vários institutos indicassem empate técnico.
A vitória de Lula, portanto, contrariou a ordem dos candidatos mostrada nas cinco pesquisas analisadas. O episódio deverá alimentar discussões sobre a interpretação dos levantamentos eleitorais, a comunicação das margens de erro e a diferença entre intenção de voto e resultado efetivo de uma eleição.
Palavras-chave: pesquisas eleitorais 2026, pesquisas erraram eleição 2026, Lula eleito, Flávio Bolsonaro, AtlasIntel Bloomberg, Quaest, Datafolha, BTG Nexus, Palver, resultado segundo turno 2026, Lula 51,79%, eleições presidenciais, pesquisas de intenção de voto, margem de erro, apuração TSE.






