Pular para o conteúdo
Pernambuco Notícias

27°CRecife · previsão
Pernambuco Notícias
Eleições 2026

Lula pede cassação de Flávio Bolsonaro e acusa redes sociais de interferência nas eleições de 2026

Campanha petista acionou o TSE às vésperas do segundo turno e solicita investigação sobre suposto favorecimento digital ao candidato do PL, além de compensação milionária em publicidade eleitoral.

Foto: Renato Pizzutto/Band

A disputa pela Presidência da República ganhou um novo capítulo na Justiça Eleitoral. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende impedir que o senador Flávio Bolsonaro (PL) seja diplomado caso vença o segundo turno, marcado para domingo (25). A medida faz parte de uma ação judicial que também busca a cassação da chapa adversária e a declaração de inelegibilidade de seus integrantes por oito anos.

O processo foi apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quarta-feira (21), por meio de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). A coligação governista sustenta que houve abuso de poder econômico e utilização irregular das plataformas digitais para influenciar o comportamento dos eleitores durante a campanha presidencial.

Um dos principais pontos da denúncia envolve a atuação da Meta, responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, e da plataforma X. Segundo os advogados de Lula, os sistemas de recomendação de conteúdos dessas empresas teriam ampliado a exposição das publicações favoráveis a Flávio Bolsonaro, enquanto materiais ligados ao presidente receberiam menor alcance.

A representação, composta por 138 páginas, também levanta suspeitas de influência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. A argumentação considera a localização das sedes das empresas nos Estados Unidos e manifestações políticas atribuídas a autoridades e dirigentes do setor tecnológico. Para a campanha petista, a suposta diferença na distribuição dos conteúdos comprometeria a igualdade de condições entre os candidatos.

Campanha pede R$ 7 milhões em publicidade digital

Além das possíveis sanções eleitorais, a equipe jurídica de Lula solicita medidas imediatas para modificar o funcionamento das plataformas durante os últimos dias de campanha. Entre os pedidos está a suspensão de qualquer tratamento considerado privilegiado às publicações de Flávio Bolsonaro e a adoção de mecanismos que ampliem a visibilidade dos conteúdos do presidente.

A coligação calcula que a suposta desigualdade na distribuição das publicações teria produzido uma diferença equivalente a R$ 7,4 milhões em exposição publicitária. Como compensação, solicita a concessão de R$ 7 milhões em créditos para impulsionamento de conteúdos eleitorais.

Os advogados também querem que a Meta apresente explicações técnicas, sob sigilo, no prazo de 48 horas, preserve materiais relacionados aos dois candidatos e interrompa a geração de determinados conteúdos eleitorais por ferramentas de inteligência artificial. A ação ainda solicita relatórios periódicos sobre o cumprimento de eventuais decisões judiciais, incluindo avaliações a cada duas horas e outra após a votação.

Empresa contratada pelo PL é citada na investigação

Outro elemento da denúncia envolve a Elytron, empresa que teria recebido pagamentos relacionados à campanha de Flávio Bolsonaro. Com base em informações publicadas pelo The Intercept Brasil, a representação questiona a possível utilização de contas artificiais, sistemas automatizados e ferramentas de inteligência artificial para disseminar conteúdos políticos.

A campanha de Lula também denuncia a circulação de imagens manipuladas envolvendo o presidente, a primeira-dama Janja Lula da Silva e outras mulheres com atuação política. Conforme a acusação, parte desse material teria conteúdo sexualizado ou buscaria associar adversários políticos a organizações criminosas.

As alegações integram os argumentos apresentados ao TSE e dependem de apuração. A apresentação da ação não representa comprovação das irregularidades nem significa que a Justiça Eleitoral tenha determinado a cassação da chapa.

Elytron rejeita acusações e esclarece contratos

Em manifestação pública, a Elytron negou envolvimento em operações clandestinas de influência eleitoral, produção de notícias falsas ou utilização de imagens manipuladas para atacar candidatos. A empresa afirmou atuar exclusivamente na área de segurança cibernética e da informação, oferecendo serviços de caráter defensivo.

A companhia também contestou as informações relacionadas aos contratos. Segundo sua versão, um acordo inicialmente estabelecido em R$ 1 milhão foi cancelado e substituído por outro instrumento no valor de R$ 600 mil. A empresa mencionou ainda R$ 131,9 mil pagos pelo Partido Liberal, referentes a uma contratação diferente.

A Elytron declarou que não prestou serviços à campanha de Donald Trump e negou qualquer vínculo entre sua operação brasileira e Vincent Reed. Também informou que poderá adotar providências judiciais caso seja comprovado que terceiros utilizaram seu nome, sem autorização, para oferecer serviços irregulares.

Com a votação presidencial prevista para 25 de outubro, os pedidos apresentados pela campanha petista colocam o TSE diante de uma disputa que envolve não apenas o resultado das urnas, mas também os limites da atuação das grandes plataformas tecnológicas nas eleições. Caberá à Justiça Eleitoral avaliar os elementos apresentados, decidir sobre eventuais medidas urgentes e determinar se existem fundamentos para responsabilização dos investigados.

Palavras-chave: Lula, Flávio Bolsonaro, eleições 2026, TSE, cassação de candidatura, segundo turno, Justiça Eleitoral, Meta, inteligência artificial, abuso de poder econômico, Alfredo Gaspar, Elytron, Partido Liberal, campanha presidencial.

Leia também