Pular para o conteúdo
Pernambuco Notícias

27°CRecife · previsão
Pernambuco Notícias
Política

Lula desafia Trump e diz que Brasil não vai “baixar a cabeça” diante de tarifas dos EUA

© Ricardo Stuckert/PR

A poucos dias da entrada em vigor das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao jornal americano New York Times, que o Brasil não aceitará submissão nas negociações com Washington. Em tom firme, Lula declarou que o país atuará como “nação soberana” e rechaçou a possibilidade de aderir a uma Guerra Fria contra a China.

A resposta foi dada ao jornalista Jack Nicas, que questionou se as críticas abertas ao presidente americano Donald Trump poderiam prejudicar as relações comerciais entre os dois países. Lula reconheceu a preocupação com os impactos econômicos, tecnológicos e políticos das medidas tarifárias, mas descartou qualquer temor.

“Em nenhum momento o Brasil negociará como se fosse um país pequeno contra um país grande”, afirmou o presidente. Para ele, a relação entre Estados deve buscar equilíbrio e respeito mútuo, sem imposições unilaterais. “Não se consegue nada estufando o peito nem abaixando a cabeça dizendo ‘amém’”, completou.

Lula também criticou a possibilidade de que as tarifas de 50% tenham sido motivadas por questões políticas internas brasileiras, como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe após as eleições de 2022. O presidente destacou que, caso essa seja a motivação, quem vai pagar a conta são os consumidores dos dois países.

Segundo Lula, misturar política com comércio é um erro. Ele defendeu que os temas sejam tratados separadamente: “Se ele [Trump] quer ter uma briga política, vamos tratá-la como briga política. Se é sobre comércio, vamos discutir comércio”.

Por fim, o presidente usou o exemplo do embargo a Cuba para destacar sua posição. “Não posso exigir que os EUA suspendam o bloqueio econômico a Cuba em troca de algo comercial. Isso fere o respeito à diplomacia e à soberania de cada nação”, concluiu.

A declaração é vista como um posicionamento firme do Brasil frente à pressão norte-americana, em um momento de tensão crescente nas relações comerciais entre os dois países.

Leia também