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Política

Lula avalia colocar Alckmin no Ministério da Fazenda em eventual novo mandato

Proposta ainda está em discussão e faria o vice-presidente acumular o cargo com o comando da política econômica; movimento ocorre durante disputa do segundo turno

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia entregar o Ministério da Fazenda ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) caso seja reeleito. A possibilidade está sendo discutida internamente, segundo duas pessoas familiarizadas com as conversas, que falaram sob condição de anonimato por se tratar de uma negociação reservada.

Pelo desenho considerado, Alckmin continuaria na Vice-Presidência e acumularia o posto com o comando da Fazenda a partir de 2027. A mudança daria ao ex-governador de São Paulo maior participação na condução da política econômica. Até o momento, porém, não há decisão anunciada.

A discussão ocorre após Lula terminar o primeiro turno da eleição presidencial atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Dentro da estratégia relatada pelas fontes, a presença de Alckmin na área econômica poderia funcionar como um sinal direcionado a setores do centro político e do empresariado preocupados com a situação fiscal do país.

Alckmin tem trajetória política ligada ao centro e governou São Paulo em quatro oportunidades. Adversário de Lula na eleição presidencial de 2006, tornou-se posteriormente seu aliado e integrou o atual governo como ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços até o início deste ano. Nesse período, também atuou na interlocução com os Estados Unidos em meio às disputas comerciais entre os dois países.

A possibilidade de Alckmin assumir a Fazenda não é inédita. Após a eleição de 2022, seu nome também chegou a ser considerado para a função, mas Lula acabou escolhendo Fernando Haddad (PT) para comandar o ministério.

O debate econômico ganhou espaço na campanha após o resultado do primeiro turno e a reação dos mercados. Segundo a avaliação apresentada pelas fontes, investidores interpretaram o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro e de seus aliados no Congresso como uma possibilidade de mudança na condução fiscal em um eventual governo do candidato do PL.

No atual governo, a dívida pública bruta aumentou mais de dez pontos percentuais em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), chegando a 82,9%, segundo os dados apresentados. Ao mesmo tempo, o período registrou inflação abaixo das médias históricas mencionadas no levantamento, crescimento econômico acima de expectativas, baixo desemprego e avanço dos salários reais.

Após o primeiro turno, o próprio Lula destacou publicamente o histórico de Alckmin na administração paulista ao defender a atuação de ambos na área fiscal. A eventual indicação para a Fazenda, entretanto, permanece no campo das discussões internas e dependeria tanto da decisão de Lula quanto de sua vitória no segundo turno da eleição presidencial.

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