Julio Iglesias pode ser investigado por agressão sexual após mudança de posição da Justiça espanhola
Ministério Público considera que tribunal da Espanha tem competência para analisar acusações de duas ex-funcionárias; cantor também enfrenta disputa judicial milionária nos Estados Unidos.

O cantor espanhol Julio Iglesias enfrenta um novo desdobramento judicial após o Ministério Público da Espanha mudar seu entendimento sobre uma denúncia apresentada por duas ex-funcionárias do artista. A Promotoria passou a defender que a Audiência Nacional, tribunal espanhol responsável por determinados processos de maior complexidade, possui competência para investigar as acusações de agressão sexual e outras supostas violações.
A mudança de posicionamento abre caminho para uma possível investigação criminal, mas ainda não representa a abertura formal do procedimento. A decisão caberá ao juiz Antonio Piña, responsável pela análise da ação apresentada contra o cantor.
As denunciantes, identificadas pelos nomes fictícios de Rebeca e Laura, trabalharam em propriedades de Julio Iglesias na República Dominicana e nas Bahamas, em 2021. Elas relatam supostas práticas que poderiam configurar tráfico de pessoas para exploração por trabalho forçado e servidão, crimes contra a liberdade sexual e violações dos direitos trabalhistas.
O parecer favorável à competência da Justiça espanhola foi encaminhado pelo promotor Vicente González Mota ao magistrado. O documento recebeu a aprovação da procuradora Beatriz Sánchez Álvarez, coordenadora da área de combate ao tráfico de pessoas.
A controvérsia sobre a possibilidade de investigar o caso na Espanha começou após uma primeira denúncia apresentada pelas mulheres ter sido arquivada. Na ocasião, a Promotoria entendeu que os tribunais espanhóis não poderiam atuar porque os fatos denunciados teriam ocorrido no exterior e as supostas vítimas não possuíam nacionalidade espanhola nem residência no país.
Antes do arquivamento, as autoridades chegaram a colher os depoimentos das denunciantes e reconheceram sua condição de testemunhas protegidas. O entendimento pela ausência de jurisdição havia sido apresentado pela procuradora Marta Durántez.
Em 3 de setembro de 2026, as duas mulheres recorreram novamente à Justiça, desta vez apresentando uma ação diretamente a um juiz de instrução da Audiência Nacional. A nova iniciativa manteve as acusações anteriores e acrescentou uma denúncia de tratamento degradante.

Paralelamente ao caso espanhol, Julio Iglesias e sua esposa, Miranda Rijnsburger, têm uma audiência prevista para esta sexta-feira (16), em Miami, nos Estados Unidos. O casal deverá prestar declarações em uma disputa judicial envolvendo um agente imobiliário que cobra aproximadamente seis milhões de euros em comissões relacionadas à venda de terrenos em Indian Creek.
Os dois processos tratam de assuntos distintos e tramitam em países diferentes. Enquanto a ação norte-americana envolve uma cobrança financeira, o procedimento espanhol discute a possibilidade de investigação de acusações criminais feitas pelas antigas funcionárias.
Com a nova manifestação do Ministério Público, a próxima etapa dependerá da decisão do juiz Antonio Piña sobre a competência da Audiência Nacional. Até o momento, as denúncias apresentadas pelas mulheres permanecem como alegações a serem examinadas judicialmente, sem que o novo parecer represente uma conclusão sobre a responsabilidade do cantor.
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