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Proposta recebeu 75 votos favoráveis nos dois turnos e prevê mudanças graduais na carga horária dos trabalhadores; votação ocorreu em meio à disputa presidencial.

O Senado Federal deu um passo importante na discussão sobre as condições de trabalho no Brasil ao aprovar, nesta quarta-feira (14), uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6×1 e prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas. A matéria foi aprovada em dois turnos, com ampla maioria dos parlamentares.
Nas duas votações, o texto recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) se posicionou contra a proposta, enquanto Sergio Moro (PL-PR) registrou presença na primeira votação, mas não participou da decisão. Para concluir a análise no mesmo dia, o governo articulou um calendário especial, acelerando os procedimentos legislativos.
A aprovação aconteceu em um momento de forte movimentação política, a menos de duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais. A redução da jornada de trabalho tornou-se uma das pautas defendidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição.
Durante a tramitação, parlamentares da oposição questionaram o momento escolhido para a votação. O senador Rogério Marinho (PL-RN), integrante da coordenação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, classificou a iniciativa como uma medida de caráter eleitoral.
Apesar das críticas anteriores à proposta, Flávio Bolsonaro anunciou, na terça-feira (13), que apoiaria o fim da escala 6×1, argumentando que a mudança corresponde ao desejo de grande parte dos trabalhadores brasileiros. Na votação, o PL decidiu liberar seus integrantes para que cada senador se posicionasse individualmente.
Entre os defensores da medida, a senadora pernambucana Teresa Leitão (PT), líder do governo no Senado, destacou a necessidade de garantir melhores condições de vida à população. Para ela, a atividade profissional não deve impedir que os trabalhadores tenham tempo para a família, o descanso e outras necessidades pessoais.
Por outro lado, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), manifestou preocupação com os possíveis impactos econômicos da redução da jornada, especialmente para empresas que dependem de maior quantidade de mão de obra. O parlamentar defendeu a adoção de mecanismos de compensação para os empregadores, mencionando a possibilidade de desoneração da folha de pagamento.
A oposição também discute alternativas ao modelo aprovado. Uma delas, apresentada por Rogério Marinho, prevê maior flexibilidade na definição da jornada, permitindo negociações entre empregados e empregadores. Integrantes do PL defendem que o tema poderá ser reavaliado em uma eventual administração de Flávio Bolsonaro.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apoiou a aprovação e destacou os benefícios sociais da redução do tempo dedicado ao trabalho. Segundo ele, a mudança poderá representar uma melhoria significativa na rotina de milhões de brasileiros que enfrentam longos deslocamentos e jornadas desgastantes.
Apesar da aprovação no Senado, o fim da escala 6×1 ainda não está em vigor. Por se tratar de uma mudança constitucional, a proposta também precisa passar pela análise da Câmara dos Deputados, onde deverá receber o apoio de pelo menos três quintos dos parlamentares em dois turnos de votação, antes de uma eventual promulgação.
A discussão sobre a redução da jornada deverá continuar no Congresso Nacional, envolvendo representantes dos trabalhadores, empresários e diferentes setores da economia.
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