
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta quinta-feira (7) a Operação Desfortuna, que investiga a participação de influenciadores digitais em um esquema milionário de jogos de azar que se estendeu por três estados. Segundo o delegado Renan Mello, a apuração revelou que alguns dos investigados lucravam diretamente com as perdas financeiras dos próprios seguidores.
De acordo com as investigações, os influenciadores promoviam plataformas de jogos — como o popular “Jogo do Tigrinho” — e eram remunerados de duas formas: por valor fixo baseado em número de postagens, ou por meio da chamada “cláusula da desgraça alheia”, na qual recebiam porcentagens sobre os prejuízos dos usuários que se cadastravam por meio dos links divulgados.
Nos últimos dois anos, a rede investigada movimentou cerca de R$ 40 milhões. Com esse dinheiro, os envolvidos levavam uma vida de ostentação, marcada por viagens internacionais, jatinhos particulares, carros de luxo e mansões. “Eles têm um padrão de vida elevadíssimo, com ganhos muito acima do plausível para a atividade que exercem”, disse o delegado.
Mesmo durante o cumprimento dos mandados da operação, alguns influenciadores ainda promoviam os jogos nas redes sociais. Para a polícia, isso mostra a dimensão do esquema. “Pessoas que mostram padrões luxuosos e que ludibriam os seus seguidores com uma finalidade pura e simples de ganância”, acrescentou Renan Mello.
Entre os alvos estão influenciadores com milhões de seguidores. As gêmeas Paola e Paulina, que juntas somam mais de 10 milhões de seguidores, se apresentaram à delegacia acompanhadas de advogada, mas não quiseram comentar o caso. Outras personalidades investigadas incluem:
- Bia Miranda (9,7 milhões de seguidores)
- Paola Ataíde (6 milhões)
- Tailane Garcia (4,5 milhões)
- Paulina Ataíde (4,4 milhões)
- Maumau ZK (3,5 milhões)
- Buarque (2,8 milhões)
- Jenny Miranda (1,2 milhão)
- Nayala Duarte (491 mil)
- Lorrany Rafael (343 mil)
- Gato Preto (294 mil)
- Vanessinha Freires (203 mil)
- Mohammed MDM (195 mil)
- Luiza Ferreira (112 mil)
- Agência MS (Micael dos Santos) (15 mil)
A Polícia Civil segue investigando o destino dos valores movimentados e não descarta o envolvimento de outras figuras públicas no esquema.
