Em pouco mais de quatro anos, 500 adolescentes foram baleados na Região Metropolitana do Recife, mostra o levantamento mais recente do Instituto Fogo Cruzado. Entre as vítimas, 322 morreram e 178 ficaram feridas. Em média, nove adolescentes foram baleados a cada mês. O estudo leva em consideração a data em que o Instituto passou a mapear a Região Metropolitana do Recife, em 1º de abril de 2018.
Para Edna Jatobá, coordenadora do GAJOP e parceira local do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco, esse elevado número de adolescentes vítimas da violência armada escancara que a política pública local não combate de maneira eficaz a violência contra adolescentes. “Esse é um problema não somente de segurança pública, mas também de proteção, o ppcaam (programa de proteção à crianças e adolescentes ameaçados de morte enfrentou muita dificuldade na execução por conta de um cenário de descontinuidade de recursos, esse é um problema de toda a sociedade e da má gestão do Estado. Falhamos ao não amparar adolescentes e protegê-los da violência”, avalia Edna.
Em 2021, o relatório produzido pela Rede de Observatórios de Segurança no Estado mostrou que Pernambuco é o pior lugar do Brasil para ser criança ou adolescente. A pesquisa mostra ainda que os adolescentes sofrem outros tipos de violências e abusos, como feminicídio, sofridos até mesmo dentro de casa.
Dos 500 baleados mapeados pelo Fogo Cruzado, 46 adolescentes foram atingidos quando estavam dentro de casa. Entre essas 46 vítimas, 37 morreram e nove ficaram feridas. Dois morreram e três ficaram feridos quando estavam em eventos públicos. Três ficaram feridos ao serem baleados dentro de transportes públicos. E um foi morto a tiros dentro de um colégio.
436 adolescentes foram baleados em homicídios e tentativas de homicídio: 303 morreram e 133 ficaram feridos. As ações policiais deixaram 10 adolescentes mortos e 15 feridos. Roubos e tentativas de roubo foram responsáveis por deixar quatro adolescentes mortos e outros 19 feridos.
Os adolescentes também foram alvos indiretos da violência armada. Há casos em que eles não sofreram tentativas de homicídio, mas acabaram atingidos por tiros. Entre os 500 adolescentes baleados, 16 deles foram vítimas de balas perdidas. Destes, um morreu e 15 ficaram feridos.
Cinco jovens foram atingidas enquanto estavam grávidas: três morreram e duas ficaram feridas. Cinco adolescentes foram atingidas durante feminicídio ou tentativas de feminicídio: só duas sobreviveram.
Entre os cinco municípios que mais concentraram adolescentes baleados, Recife foi o principal deles, com 162 vítimas (97 mortos e 65 feridos), representando 32% dos baleados. Jaboatão dos Guararapes teve 85 adolescentes baleados (56 mortos e 29 feridos); Cabo de Santo Agostinho teve 73 (51 mortos e 22 feridos); Olinda teve 49 (25 mortos e 24 feridos); E Paulista teve 37 adolescentes vítimas (27 mortos e 10 feridos).
