Globo cancela último debate presidencial após decisões do TSE e STF
Emissora alegou insegurança jurídica após receber determinações que alteraram regras do encontro poucas horas antes da transmissão

A TV Globo cancelou o debate entre os candidatos à Presidência da República que seria realizado na noite desta quinta-feira (1º), último dia permitido para debates antes do primeiro turno das Eleições 2026. A decisão foi anunciada após a emissora receber determinações judiciais que modificaram pontos importantes da dinâmica prevista para o programa.
Uma das mudanças partiu do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ministra Estela Aranha determinou que a emissora não poderia manter no cenário um púlpito vazio identificado com o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não participaria do encontro. A decisão também impediu que os demais candidatos utilizassem parte do debate para formular perguntas direcionadas ao petista ausente.
Essas situações estavam previstas nas regras previamente estabelecidas para o programa. Pela dinâmica acertada, o espaço destinado a um candidato ausente permaneceria no cenário e, em uma das rodadas, os participantes poderiam apresentar a pergunta que fariam ao adversário que não comparecesse.
Outra alteração ocorreu por determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele decidiu que Renan Santos, candidato do Missão, deveria ser incluído no debate, apesar de seu partido não atingir originalmente o número mínimo de parlamentares utilizado como critério para a participação obrigatória.
A composição do encontro já havia passado por outra mudança nesta semana. Uma decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, modificou o entendimento sobre a representação parlamentar considerada para os debates e garantiu a participação de Romeu Zema, do Novo.
Diante das decisões tomadas poucas horas antes do início da transmissão, a Globo informou que optou pelo cancelamento. A emissora argumentou que as mudanças de última hora provocaram insegurança jurídica e afetaram sua autonomia na organização do confronto entre os presidenciáveis.
O cancelamento ocorreu a três dias do primeiro turno, marcado para domingo (4). Nesta quinta-feira também termina o período autorizado pela legislação eleitoral para a realização de debates no rádio e na televisão antes da votação.
Com a decisão, os eleitores deixam de acompanhar o último confronto televisivo que estava programado entre candidatos à Presidência antes da ida às urnas.



