
Jair Bolsonaro sempre deixou nítida sua posição desprezível em relação às mulheres, à juventude, aos mais pobres e às pessoas negras. São inúmeros os casos de racismo declarado, machismo violento e total desdém pela maior parte da população brasileira.
Em um dos mais recentes ataques orquestrados pela milícia digital, o preconceito linguístico se soma a todos os outros para desrespeitar o hino nacional, numa demonstração do que de mais podre a indústria milionária de fake news pode produzir.
Na sanha de espalhar o maior número possível de mentiras contra Lula, o gabinete do ódio elegeu como alvo da nova onda de fake news o hino nacional, interpretado pela cantora e compositora carioca Teresa Cristina no lançamento do Movimento Vamos Juntos pelo Brasil. Em uma montagem grotesca e pautada pelo racismo e pelo preconceito de classe, bolsonaristas dublam a bela voz de Teresa com o áudio de Dona Irene, comediante que canta o hino nacional errado propositalmente.
Teresa é uma mulher negra e, repetindo o discurso de um país escravocrata e misógino, tentam dar a entender que isso seria sinônimo de baixa instrução, desconhecimento com a língua portuguesa e, como a cena final dá a enter: burrice. Isso tem nome: violência política. E não estamos falando aqui do antipetismo que os articuladores políticos dos grandes jornais adoram usar como argumento para esconder seu desprezo pelo povo. Trata-se de machismo, racismo escancarado, um ódio de classe que não conhece limites.
É conquista da luta das mulheres e da negritude que hoje podemos sequer falar em qualquer mínimo avanço em termos de cidadania, inclusão e diversidade no país. É essa multidão que conquistou espaço político, foi ouvido e até hoje denuncia a violência repulsiva que vive na carne todos os dias. A mesma parcela do povo que mais sofre com o desmonte da nação, a alta injustificável da inflação, a perda de direitos e o desgoverno bolsonarista.
Esse tipo de “meme” ou brincadeira não é piada e não tem graça nenhuma. É, na realidade, a forma violenta como a política se estrutura para manter excluídos do debate político e da democracia as mulheres e a população mais pobre. É por conta de conteúdos assim, que normalizam o ódio de classe, de gênero e racial, que vivemos índices tão preocupantes nos dias de hoje.
O Brasil é ocupa hoje o 5º lugar no ranking mundial de feminicídios, que é o assassinato de mulheres motivados pelo fato de elas serem mulher.es Isso quer dizer que a cada 7 horas uma mulher é assassinada no país. Isso mesmo, enquanto você dorme, ou cumpre sua jornada de trabalho, uma mulher morreu no Brasil. Para piorar, mulheres são as mais afetadas pelo desemprego e baixos salários, duas marcas da gestão Bolsonaro. Esses índices são ainda mais preocupantes quando incluímos o recorte de raça. No Brasil, um homem branco que cursou o ensino superior em uma instituição pública ganha, em média, R$ 7.892. Já uma mulher negra formada no mesmo tipo de faculdade recebe, em média, R$ 3.047.
