Ex-ministro Gilson Machado critica denúncia contra Bolsonaro e fala em “perseguição política”

O ex-ministro do Turismo, Gilson Machado Neto (PL), expressou forte indignação com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista exclusiva à Folha de Pernambuco, o aliado do ex-mandatário classificou a acusação como uma “narrativa imposta ao povo brasileiro” e negou qualquer tentativa de golpe.
Gilson citou a participação do ministro da Defesa do governo Lula, José Múcio, na transição entre os mandatos como prova de que Bolsonaro jamais teria planejado um golpe. “Como é que este homem quer armar um golpe se ele ajuda na transição entre os governos?”, questionou.
“Golpe tabajara” e perseguição política
Ao ser confrontado sobre a robustez da denúncia da PGR, que reúne mais de 300 páginas de provas, o ex-ministro minimizou as evidências e alegou que a chamada “minuta do golpe” não existe. “Isso é a invenção de um golpe tabajara, que nunca aconteceu”, declarou.
Segundo Gilson, Bolsonaro deixou o Brasil antes do 8 de janeiro por prever que seria alvo de perseguição. “Se ele estivesse aqui no 8 de janeiro, teria sido usado como boi de piranha”, afirmou, reforçando a tese de que o ex-presidente enfrenta um processo político movido por seus adversários.
O ex-ministro ainda sugeriu que a denúncia foi uma “cortina de fumaça” para desviar a atenção de uma pesquisa recente que, segundo ele, apontaria Bolsonaro como favorito contra Lula em 2026.
Impacto na política pernambucana
No cenário estadual, Gilson Machado destacou a força do bolsonarismo em Pernambuco e afirmou que o candidato ao governo que contar com o apoio de Bolsonaro estará no segundo turno. “Nós temos em Pernambuco dois pré-candidatos ao Governo do Estado, a atual governadora Raquel Lyra (PSDB) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB). O candidato que abraçar Bolsonaro estará no segundo turno”, declarou.
Indagado se ele próprio poderia ser esse candidato, Gilson evitou uma resposta direta, mas garantiu estar disposto a enfrentar qualquer disputa eleitoral.
Convocação para atos e oposição a Lula
O ex-ministro também defendeu as manifestações convocadas por Bolsonaro para o próximo mês, afirmando que os protestos terão três eixos principais: a defesa da anistia aos presos do 8 de janeiro, a liberdade de expressão na internet e o movimento “Fora Lula em 2026”.
Apesar da mobilização política, Gilson descartou qualquer alternativa ao atual presidente que não passe por Bolsonaro. “Não tem sentido tirarmos o Lula e colocarmos o Alckmin lá”, concluiu.
A denúncia contra Bolsonaro segue em tramitação, e o embate político promete se intensificar nos próximos meses, com possíveis reflexos nas eleições de 2026.



