
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) retirou a acusação de que Nicolás Maduro comandava uma rede internacional de narcotráfico conhecida como “Cartel de Los Soles”, apontada inicialmente em 2020, durante o governo de Donald Trump.
A nova versão do processo, divulgada após bombardeios recentes na Venezuela, reformula o papel atribuído a Maduro e ao ex-presidente Hugo Chávez. Ambos agora são citados como participantes de um sistema que teria promovido a corrupção e se beneficiado do tráfico de drogas, mas não como líderes diretos de uma organização criminosa formal.
Das 32 menções ao “Cartel de Los Soles” contidas no processo original, 30 foram removidas. A denúncia atual descreve o suposto esquema como um “sistema de clientelismo”, onde lucros do tráfico beneficiariam funcionários civis, militares e de inteligência venezuelanos de baixa patente, operando sob proteção de autoridades de alto escalão.
A nova abordagem está alinhada com análises de especialistas em crime organizado. Segundo a InSight Crime, o termo “Cartel de Los Soles” surgiu nos anos 1990, usado pela imprensa venezuelana para descrever redes de corrupção ligadas ao tráfico, mas sem estrutura típica de cartéis.
Apesar da revisão do DOJ, o conselheiro de segurança nacional Marco Rubio manteve a acusação contra Maduro, afirmando que o líder venezuelano segue à frente da rede criminosa.
O documento atualizado também inclui novas denúncias, entre elas a participação do líder do grupo criminoso Tren de Aragua, acusado de oferecer escolta armada para carregamentos de drogas no país.
