Estudo alerta: hipotireoidismo não tratado na gravidez pode aumentar risco de autismo em crianças

Um estudo internacional com mais de 51 mil nascimentos identificou uma possível associação entre hipotireoidismo não tratado durante a gravidez e o aumento do risco de desenvolvimento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas crianças.
A pesquisa acompanhou 51.296 nascimentos únicos ocorridos entre 2011 e 2017 em um hospital no sul de Israel. As crianças foram monitoradas até 2021 para verificar possíveis diagnósticos de autismo, seguindo os critérios clínicos estabelecidos pelo DSM-5.
Durante a análise, os pesquisadores identificaram que 4.409 mulheres apresentaram algum tipo de alteração na função da tireoide antes ou durante a gestação.
Hormônios da tireoide são essenciais para o cérebro do bebê
Os hormônios produzidos pela tireoide desempenham papel fundamental no desenvolvimento cerebral do feto. No início da gravidez, principalmente no primeiro trimestre, o bebê depende quase totalmente dos hormônios produzidos pela mãe.
Alterações nesses níveis hormonais já haviam sido associadas em estudos anteriores a atrasos na linguagem, prejuízos cognitivos e menor pontuação de QI na infância.
Por esse motivo, especialistas têm investigado a disfunção da tireoide como um possível fator de risco relacionado ao autismo.
Risco aumenta quando o problema persiste por mais tempo
Os pesquisadores também avaliaram em quais momentos da gestação o hipotireoidismo apareceu. Os dados mostraram que quanto mais tempo o desequilíbrio hormonal permanece durante a gravidez, maior pode ser o risco associado ao autismo.
Por outro lado, o estudo não encontrou associação significativa quando o hipotireoidismo crônico estava controlado por tratamento médico, indicando que o acompanhamento adequado pode reduzir possíveis riscos.
Importância do diagnóstico durante a gravidez
Especialistas destacam que muitas vezes os sintomas do hipotireoidismo podem passar despercebidos durante a gestação, já que se confundem com sinais comuns da gravidez.
Entre eles estão:
- ganho de peso
- sonolência excessiva
- inchaço
- fragilidade nas unhas e cabelos
Segundo especialistas em ginecologia e obstetrícia, o diagnóstico pode ser feito por meio de um exame simples que mede o hormônio TSH. Quando identificado, o hipotireoidismo pode ser tratado com acompanhamento médico adequado.
Associação não significa causa direta
Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o estudo aponta uma associação estatística, e não uma relação direta de causa e efeito entre hipotireoidismo e autismo.
Mesmo assim, os dados reforçam a importância do acompanhamento médico durante toda a gravidez, especialmente para monitorar a função da tireoide e garantir o equilíbrio hormonal necessário para o desenvolvimento saudável do bebê.



