Escalada nas tensões: Venezuela acusa Brasil de manipular opinião internacional após veto ao ingresso no Brics

As tensões diplomáticas entre Brasil e Venezuela intensificaram-se neste fim de semana, após o governo venezuelano acusar o Itamaraty de “enganar” a comunidade internacional e se passar por vítima em uma crise crescente entre os países. O comunicado foi emitido neste sábado (2) pelo chanceler venezuelano, Yván Gil, um dia depois de o Brasil ter se manifestado sobre o “tom ofensivo” adotado por autoridades venezuelanas.
O conflito escalou após o veto do Brasil à entrada da Venezuela no bloco econômico Brics, decisão tomada durante a cúpula do grupo em Kazan, na Rússia, na semana passada. O veto foi seguido por uma nota oficial do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, na qual se expressava “surpresa” com as manifestações ofensivas do governo venezuelano, que incluíram uma publicação da Polícia Nacional da Venezuela (PNB) com a imagem de uma figura semelhante à de Lula ao lado de uma bandeira brasileira e a mensagem: “Quem se mete com a Venezuela se dá mal”.
Em meio ao impasse, o governo brasileiro condicionou o reconhecimento da reeleição de Maduro à publicação de um escrutínio detalhado das eleições de 28 de julho, nas quais a oposição reivindica vitória para seu candidato, Edmundo González Urrutia. O governo Lula tem evitado reconhecer Maduro como vencedor até que as denúncias de fraude sejam investigadas.
Como resposta, a Venezuela chamou seu embaixador em Brasília para consultas e convocou o encarregado de negócios do Brasil em Caracas, afirmando que o Itamaraty “conspira contra a Venezuela”, embora Maduro tenha evitado responsabilizar diretamente o presidente Lula pelo veto no Brics.
Diosdado Cabello, figura importante do chavismo e ministro do Interior venezuelano, tem se destacado na retórica mais dura contra o governo brasileiro. Em comunicado, o chanceler Yván Gil exortou o Brasil a “desistir de se intrometer em temas que só competem aos venezuelanos”.
O cenário de crescente tensão representa um desafio à diplomacia brasileira, com impacto nas relações comerciais e políticas entre os países, que compartilham fronteiras e laços históricos na América do Sul.



