
A Organização Mundial da Saúde (OMS) está intensificando as investigações sobre uma doença misteriosa que tem levado pacientes à morte em poucas horas na província de Equateur, na República Democrática do Congo. Em parceria com autoridades locais, a entidade busca entender a origem e os impactos do surto.
Desde o início do ano, o número de casos cresceu de forma alarmante. No último relatório da OMS, divulgado nesta quinta-feira (27), os registros saltaram de 419 para 1.096, enquanto o número de mortes subiu de 53 para 60. A mais recente onda de infecções ocorreu na zona de saúde de Basankusu, onde 141 pessoas adoeceram na última semana, embora não tenham sido registradas mortes no local.
Os sintomas da enfermidade incluem febre, dor de cabeça, calafrios, suor excessivo, rigidez no pescoço, dores musculares e nas articulações, coriza ou sangramento nasal, tosse, vômito e diarreia.
Investigação e desafios no diagnóstico
A OMS enviou especialistas em emergências para as áreas afetadas a fim de analisar os casos e fornecer tratamento para doenças conhecidas, como malária, febre tifoide e meningite. Amostras de 18 pacientes foram encaminhadas ao Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, na capital Kinshasa. Os primeiros exames descartaram Ebola e o vírus Marburg, mas metade das amostras testou positivo para malária, uma doença comum na região.
A possibilidade de transmissão de animais para humanos também está sendo investigada. O consumo de carne de animais selvagens é uma prática comum na Bacia do Congo, região onde surtos de doenças zoonóticas aumentaram mais de 60% na última década, segundo a OMS.
A precariedade da infraestrutura no Congo dificulta ainda mais o combate à doença. As zonas afetadas estão localizadas a mais de 300 km da capital provincial Mbandaka, tornando o acesso a cuidados médicos, testes laboratoriais e tratamento um grande desafio.
A OMS segue investigando outras possíveis causas e anunciou que realizará novos testes para meningite, além de analisar amostras de alimentos, água e do ambiente para verificar se há alguma contaminação. O avanço do surto preocupa autoridades e reforça a necessidade de vigilância epidemiológica na região.
