Desabamento em escola do Recife amplia cobranças sobre reforma, merenda e segurança

O desabamento de parte do teto da Escola Estadual Presidente Arthur da Costa e Silva, na Mustardinha, Zona Oeste do Recife, ampliou a pressão sobre a Secretaria de Educação de Pernambuco. O acidente, registrado na terça-feira (7), deixou seis estudantes e um professor feridos e reacendeu questionamentos sobre obras recentes realizadas na unidade.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação de Pernambuco (Sintepe), a escola recebeu R$ 2.527.692,54 em investimentos, divididos em dois contratos: R$ 1.109.486,78 e R$ 1.418.205,76. A entidade afirma que os serviços incluíram intervenções na cobertura e em estruturas metálicas, justamente áreas agora colocadas sob suspeita após a queda de parte do teto.
Na quarta-feira (8), pais e alunos realizaram uma mobilização em frente à escola e denunciaram outros problemas. Além das falhas na estrutura física, eles relataram a presença de larvas em refeições servidas nesta semana. Uma estudante contou que parte dos alunos já havia comido quando o problema foi percebido e que duas meninas passaram mal.
As famílias também reclamam de banheiros sem condições adequadas de uso, salas com mofo, infiltrações, paredes deterioradas, ventiladores antigos e acúmulo de lixo e água parada no entorno da unidade. Segundo os responsáveis, por um longo período, sanitários ficaram sem portas e sem trancas.
O Sintepe cobra respostas imediatas e defende a realização de uma auditoria rigorosa sobre os serviços executados. Para o sindicato, há uma distância evidente entre o volume de recursos aplicados e a realidade encontrada pela comunidade escolar. A entidade relaciona o caso à campanha “Cadê a Reforma da Minha Escola”, lançada em maio para denunciar supostas irregularidades em obras da rede estadual que, segundo o sindicato, somam cerca de R$ 183 milhões.
As obras teriam sido realizadas pela Cetus Construtora. A empresa também é alvo de decisão do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), que determinou a suspensão de pagamentos de um contrato firmado com a Secretaria Estadual de Educação após identificar supostas irregularidades na contratação.
Durante o protesto, pais ainda relataram episódios de violência entre estudantes e supostos casos de assédio envolvendo alunos e um professor da unidade. As famílias afirmam que as situações foram comunicadas à gestão escolar, mas não tiveram o encaminhamento esperado. As denúncias deverão ser apuradas pelos órgãos competentes.
Em nota, a Secretaria de Educação de Pernambuco informou que, sobre o suposto caso de assédio, a Gerência Regional de Educação Recife Sul iniciou o levantamento das informações para posterior encaminhamento à pasta, responsável pela investigação formal. A SEE afirmou que adotará as providências cabíveis assim que a denúncia for formalizada e disse repudiar qualquer forma de violência.
Sobre os investimentos na escola, a secretaria declarou que o valor aplicado contemplou diferentes intervenções estruturais, incluindo a construção da quadra poliesportiva. A pasta também informou que a unidade recebeu substituição parcial da cobertura, pintura e adequações em salas para instalação de climatização.
Ainda segundo a SEE, a conclusão da recuperação da cobertura, a adequação das salas para aparelhos de ar-condicionado, a recuperação dos banheiros e outros serviços de manutenção já estão no planejamento da secretaria. A previsão é que as intervenções sejam executadas até o fim do segundo semestre.



