
O presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, decretou lei marcial nesta terça-feira (3), marcando a primeira vez que o país adota tal medida desde 1980. A decisão foi divulgada por meio de um decreto militar, traduzido pela agência Reuters, e justificou a ação como necessária para “proteger a democracia liberal contra a ameaça de derrubada do regime”.
A lei marcial impõe severas restrições a atividades políticas, manifestações e liberdade de imprensa, além de garantir amplos poderes ao Comando da Lei Marcial. O General do Exército Park An-su foi nomeado comandante da operação.
Embora o governo alegue a necessidade de proteger a estabilidade e a segurança do país, críticos apontam que a medida representa um golpe severo contra a democracia sul-coreana. O decreto não detalha a natureza exata das “forças anti-Estado” mencionadas, o que levanta preocupações sobre a possibilidade de abusos de poder.
A declaração ocorre em meio a tensões políticas e sociais crescentes no país, reacendendo memórias traumáticas da última vez que a Coreia do Sul esteve sob lei marcial, durante o regime militar autoritário dos anos 1980.
Medidas impostas pelo decreto
Entre as principais determinações da lei marcial, destacam-se:
- Proibição de atividades políticas: Partidos, associações e protestos estão suspensos em todo o território.
- Controle da mídia: Todos os meios de comunicação estão sujeitos a censura pelo Comando da Lei Marcial.
- Proibição de greves: Trabalhadores em greve, especialmente no setor médico, devem retornar ao trabalho em até 48 horas.
- Poderes de detenção sem mandado: Cidadãos podem ser revistados, presos e detidos sem autorização judicial.
Contexto e repercussões
Governos e organizações internacionais estão monitorando de perto os desdobramentos, enquanto cidadãos sul-coreanos expressam temores sobre a possibilidade de repressão e violações de direitos humanos.
