
O chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, respondeu com firmeza às críticas direcionadas à megaoperação realizada na última terça-feira (28), na Zona Norte do Rio, que terminou com 119 mortos — o maior número de vítimas em uma ação policial na história do estado. Em coletiva de imprensa nesta quarta (29), Curi afirmou que a operação “foi exatamente como planejada” e atacou os críticos, classificando-os como “engenheiros de obras prontas que falam um monte de besteira na televisão”.
“Pode chamar a CIA, o Mossad, o FBI e até a Nasa. Nenhum deles faz o que a gente faz”, declarou Curi, em tom provocativo, citando forças de segurança e inteligência dos Estados Unidos e de Israel.
O delegado também rebateu sugestões de que a Força Nacional de Segurança deveria ter sido acionada para apoiar a operação. “A Força Nacional não é especialista nesse tipo de ação. Todas as vezes que foram acionadas, tiveram que ser resgatadas pelas polícias do Rio”, afirmou.
Durante a entrevista, o chefe da Polícia Civil destacou que é preciso “desmistificar narrativas de narcoativistas” e defendeu o trabalho das forças de segurança. “Policial é herói e não pode ser tratado como vilão. O policial estava lá por pessoas de bem, que são oprimidas por narcoterroristas, cobrando taxas, botando barricadas e assediando as filhas deles”, declarou.
Curi ainda reagiu ao fato de a operação ter sido chamada de “chacina” por entidades e defensores de direitos humanos. “Chacina é a morte indiscriminada e ilegal de várias pessoas, de forma aleatória. Ontem foi uma operação para cumprir 180 mandados de busca e 100 de prisão. Quem foi para o confronto foi neutralizado”, concluiu.
A operação, considerada a mais letal já registrada no estado, ainda é alvo de críticas de organizações de direitos humanos e de questionamentos sobre o planejamento e a proporção da força empregada pelas polícias.
