
O romantismo virou caso de polícia na ensolarada Flórida, onde Henry Betsey Jr. foi preso após manter, com invejável organização e nenhum escrúpulo, três casamentos simultâneos em cidades diferentes. Usando o charme de perfil de aplicativo e a desatenção dos cartórios locais, o cidadão conseguiu dizer “sim” três vezes, entre 2020 e 2022, sem levantar nenhuma suspeita — ao menos até uma das esposas resolver investigar por conta própria.
As vítimas — Michele, Brandi e Tonya — acreditavam viver contos de fadas modernos, mas acabaram descobrindo que dividiam o mesmo príncipe encantado, que, aliás, também era adepto de contas bancárias conjuntas e vantagens financeiras. Henry se apresentou de forma consistente nos aplicativos, usava nomes verdadeiros e sorria em todas as fotos, o que já deveria ser um alerta, segundo especialistas em relacionamentos (ou em farsas).
O segredo do sucesso? Casar-se em condados distintos, onde os cartórios funcionam à base da confiança. Isso mesmo: na terra onde se precisa de senha e documento até para devolver uma torradeira, casar exige apenas boa lábia e uma taxa paga em dia. Não há cruzamento de dados entre os registros, o que transformou Henry em um verdadeiro “CEO de matrimônios paralelos”.
O castelo de cartas começou a ruir quando Tonya, armada com um navegador e senso de justiça, buscou o nome do amado nos registros públicos e descobriu mais amor do que esperava. Ao encontrar Michele, a denúncia foi feita, e a polícia deu fim à jornada poliamorosa (não consensual) de Henry.
Além da bigamia — que nos Estados Unidos ainda não virou modalidade olímpica —, ele é acusado de tentar obter benefícios financeiros das esposas. Duas delas conseguiram medidas protetivas alegando comportamentos agressivos. Brandi chegou a expulsá-lo de casa apenas cinco dias após o “sim”, batendo o recorde estadual de arrependimento.
No tribunal, Henry declarou estar sem dinheiro e morando com um amigo, embora fontes não confirmem se o amigo também é casado com ele. Enquanto isso, as autoridades avaliam como impedir que casos assim se repitam, sugerindo — veja só — o uso de tecnologia básica e comunicação entre cartórios.
Por ora, Henry continua com o perfil ativo nos aplicativos de namoro. As ex-esposas pedem justiça. E o sistema cartorial da Flórida… um curso de informática.
