
Na manhã deste sábado (18), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entrou em contato com o jornalista Guilherme Amado, do site Metrópoles, em uma ligação marcada por descontentamento após a publicação de uma reportagem sobre seu iminente indiciamento pela Polícia Federal (PF). O indiciamento faz parte do inquérito que investiga a tentativa frustrada de golpe de Estado em 2022, logo após a derrota de Bolsonaro nas eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante a ligação, Bolsonaro criticou duramente o processo conduzido pela PF e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que supervisiona o inquérito. “É mais uma da PF criativa do Alexandre. Não existe decreto de Estado de sítio”, afirmou, argumentando que qualquer medida desse tipo exigiria a aprovação do Congresso e dos Conselhos da República e da Defesa, o que, segundo ele, nunca ocorreu. O ex-presidente ressaltou que nunca tomou qualquer ação concreta sobre isso, rejeitando as acusações.
Demonstrando irritação, Bolsonaro declarou que o objetivo do indiciamento seria garantir sua condenação, reforçando sua inelegibilidade para as eleições de 2030. “Querem se garantir com uma condenação”, desabafou, antecipando um possível desfecho desfavorável no processo.
Segundo a reportagem de Guilherme Amado, além de Bolsonaro, a Polícia Federal também vai indiciar os generais Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil, e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Ambos ocupavam posições centrais no governo e são apontados como participantes na trama golpista. O inquérito sobre essa organização criminosa está previsto para ser concluído em novembro, logo após as eleições municipais, e será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao STF.
Além dos generais, a PF também incluirá na lista de indiciados o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira (anteriormente comandante do Exército), e o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, que teria colocado as tropas à disposição de Bolsonaro para apoiar o golpe.
Durante a conversa com o jornalista, Bolsonaro ainda fez um comentário curioso sobre seus estudos da Constituição enquanto presidente, afirmando que o texto era sua “leitura de cabeceira e de banheiro”. Ele insistiu que sempre agiu “dentro das quatro linhas” da legalidade, sugerindo que a investigação está exagerando os fatos: “Os caras estão fazendo uma tempestade dentro de uma garrafa plástica”.
A conclusão do inquérito e o possível indiciamento de Bolsonaro e seus aliados podem intensificar ainda mais a crise política envolvendo o ex-presidente e seu círculo próximo de ex-militares e ministros.
