A morte de um bebê de apenas quatro meses, registrada na madrugada da última terça-feira (20), em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, está sendo investigada pela Polícia Civil como homicídio. A principal suspeita é de que a criança tenha recebido leite diretamente na corrente sanguínea, por meio de um acesso venoso que deveria ser utilizado exclusivamente para a administração de medicamentos e soro.

O caso aconteceu em uma unidade hospitalar particular, onde o bebê recebia tratamento contra bronquiolite, doença respiratória que pode provocar dificuldades para respirar, especialmente em crianças pequenas. A internação havia começado no dia 11 de outubro, após uma transferência de uma unidade de pronto atendimento de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife.
Segundo informações apresentadas pela família, a criança utilizava dois dispositivos distintos durante o tratamento. Um deles era uma sonda destinada à alimentação, enquanto o outro consistia em um acesso venoso instalado na região do pescoço. Os equipamentos apresentavam características visuais diferentes e estavam posicionados em lados opostos, circunstância que, na avaliação dos familiares, deveria facilitar a identificação correta de cada procedimento.
A suspeita de erro surgiu durante a madrugada, quando uma familiar que acompanhava a internação percebeu uma mudança repentina no estado de saúde do bebê. A criança começou a apresentar sinais graves de dificuldade respiratória, alteração na coloração da pele e perda de reação. Ao verificar os equipamentos, a acompanhante identificou uma possível conexão incorreta entre o sistema de alimentação e o acesso utilizado para medicamentos.
A equipe médica foi imediatamente acionada e iniciou procedimentos de reanimação, que, conforme o relato familiar, duraram mais de uma hora. Apesar das tentativas de atendimento emergencial, a criança não resistiu. A família também afirma que a profissional responsável pelo procedimento teria reconhecido a conexão equivocada, embora tenha apresentado uma versão diferente sobre o funcionamento da bomba de alimentação.
Diante da gravidade da ocorrência, a administração da unidade hospitalar informou que determinou o afastamento imediato da profissional envolvida. Também foi acionado o setor responsável pela segurança do paciente, com a finalidade de investigar as circunstâncias do episódio e identificar possíveis falhas nos protocolos assistenciais. A instituição manifestou solidariedade aos familiares e declarou estar disponível para colaborar com as autoridades.
O corpo do bebê passou por exames no Instituto de Medicina Legal (IML) antes de ser liberado para sepultamento, realizado na quinta-feira (22). A expectativa informada pelos familiares é de que os resultados periciais sejam disponibilizados em aproximadamente 30 dias. Os exames deverão contribuir para esclarecer a causa da morte e verificar a relação entre o procedimento denunciado e o falecimento.
A investigação policial deverá apurar a sequência dos acontecimentos, as condições em que o procedimento foi realizado e a eventual responsabilidade criminal dos envolvidos. Até a conclusão das perícias, a aplicação de leite no acesso venoso permanece como uma suspeita apresentada pela família, ainda dependente de confirmação técnica.
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