
Era uma vez, num reino chamado Gravatá, um jovem cavaleiro recém-empossado chamado Rafael Prequé. De armadura reluzente e discursos inflamados, empunhava não uma espada, mas um calhamaço de recursos judiciais. Sua missão? Derrubar o temido — ou, melhor dizendo, estabelecido — Léo do Ar, presidente da Câmara Municipal e veterano de quatro mandatos, que já conhece o regimento da Casa como quem conhece o caminho da sala para a cozinha.
Rafael Prequé, com apenas um mandato no lombo e muita energia no gogó, acorda todos os dias determinado a destronar Léo. Não importa quantas vezes o Supremo diga “não”, ou quantas páginas os ministros escrevam explicando que a eleição foi legal, válida e correta. Rafael Prequé não desanima. O homem parece ter feito um pacto com a teimosia.
Na última empreitada, armou-se de embargos de declaração, marchou digitalmente até Brasília e tentou convencer o Ministro Zanin de que havia, ali, um erro monumental — ou pelo menos uma vírgula fora do lugar. Zanin, com a paciência de um professor cansado, explicou calmamente que embargos não são varinhas mágicas para mudar o que está decidido. E que sim, Léo do Ar é o presidente. De novo. E seguirá até 2026, salvo intervenção divina ou aposentadoria voluntária, o que não parece estar no horizonte.
Enquanto isso, Léo do Ar segue tranquilo, despachando, presidindo, e talvez até rindo pelos cantos da Casa Elias Torres. Acostumado a sessões, CPIs e às manobras de quem chega agora achando que sabe tudo, o veterano observa o jovem cavaleiro com o olhar de quem já viu muitos moinhos e sabe bem a diferença entre um gigante e uma ventania passageira.
Rafael Prequé, o Dom Quixote da política gravataense, ainda crê que pode reescrever a história. O problema é que o livro já foi impresso, autenticado e publicado no Diário Oficial. Enquanto isso, seus colegas de plenário, o judiciário e até o povo parecem assistir à saga como quem vê uma novela reprisada: já sabem o final, mas continuam assistindo só pra ver o próximo tombo.
No fim das contas, resta a Rafael Prequé decidir se quer continuar duelando com a realidade ou se vai, finalmente, descer do cavalo e aprender que, na política, às vezes, mais vale um mandato bem exercido do que uma guerra mal explicada.
