Operação contra desmatamento embarga 474 hectares e aplica R$ 2,6 milhões em multas em Pernambuco

A fiscalização contra o desmatamento ilegal da Mata Atlântica resultou no embargo de 474,40 hectares em Pernambuco, área equivalente a aproximadamente 660 campos de futebol. O balanço da Operação Mata Atlântica em Pé 2026 também aponta a aplicação de R$ 2.613.500 em multas após ações realizadas em 41 municípios pernambucanos.
A operação ocorreu entre os dias 17 e 21 de agosto e percorreu cidades da Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata e Agreste. Gravatá e Chã Grande estiveram entre os municípios fiscalizados. Ao todo, foram emitidos 133 autos de infração no estado.
Uma das novidades desta edição foi a ampliação da fiscalização remota. Imagens de satélite disponibilizadas pelas plataformas MapBiomas e Brasil Mais permitiram identificar irregularidades e realizar procedimentos de embargo sem a necessidade de deslocamento imediato das equipes até os locais. Aproximadamente 182 hectares foram embargados dessa forma.

A tecnologia também esteve presente nas inspeções realizadas em campo. Drones e helicópteros foram empregados para localizar e dimensionar áreas atingidas, complementando o trabalho dos agentes e permitindo maior agilidade durante as fiscalizações.
Entre os casos identificados, Maraial concentrou a maior área embargada em uma única ocorrência, com 31,02 hectares. Já em Glória do Goitá foi aplicada a maior multa individual da operação em Pernambuco, no valor de R$ 200 mil. As equipes também resgataram 21 aves e apreenderam equipamentos, entre eles uma retroescavadeira.

As áreas atingidas por desmatamento ilegal ficam sujeitas, além do embargo e das multas, a outras consequências previstas na legislação ambiental. Entre elas estão restrições relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), obtenção de crédito rural e outros mecanismos vinculados à regularidade ambiental.
A operação em Pernambuco foi coordenada pelo Ministério Público de Pernambuco, por meio do CAO Meio Ambiente e da 1ª Regional do Núcleo de Proteção Especializada do Meio Ambiente (NUPEMA). Participaram ainda CPRH, Ibama, Batalhão de Policiamento Ambiental, DEPOMA, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Grupo Tático Aéreo e Polícia Federal.

Além de Gravatá e Chã Grande, a fiscalização alcançou Água Preta, Amaraji, Barreiros, Belém de Maria, Cabo de Santo Agostinho, Canhotinho, Catende, Cortês, Cupira, Escada, Feira Nova, Garanhuns, Glória do Goitá, Goiana, Itaquitinga, Jaboatão dos Guararapes, Joaquim Nabuco, Lagoa do Ouro, Lagoa dos Gatos, Maraial, Moreno, Palmares, Passira, Paulista, Paudalho, Pombos, Primavera, Quipapá, Ribeirão, Rio Formoso, São Benedito do Sul, São João, São Lourenço da Mata, São Vicente Férrer, Tamandaré, Terezinha, Timbaúba, Vitória de Santo Antão e Xexéu.
A Mata Atlântica em Pé ocorreu simultaneamente nos 17 estados brasileiros abrangidos pelo bioma. Nacionalmente, a iniciativa é coordenada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA) e pelo Ministério Público de Minas Gerais, com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.

O balanço nacional foi apresentado nesta sexta-feira (28), em Belo Horizonte, durante a abertura do Seminário 20 anos da Lei da Mata Atlântica. Dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica apontam que, em 2025, o desmatamento do bioma caiu 40% em relação ao período anterior e 60% na comparação com 2020-2021, chegando ao menor nível registrado em quatro décadas de monitoramento.



