Estados Unidos elevam tarifa sobre produtos brasileiros para 37,5%

Os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos passarão a enfrentar uma carga tarifária de 37,5% a partir desta sexta-feira (24). O novo percentual resulta da sobretaxa de 12,5% anunciada nesta quinta-feira (23), somada aos 25% aplicados ao Brasil no dia anterior.
A medida foi divulgada pelo Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, após uma investigação que alcançou outros 60 países. O governo norte-americano atribuiu a decisão à avaliação de que as nações investigadas não adotaram ou não aplicaram de forma suficiente mecanismos contra o uso de trabalho forçado nos setores produtivos.
As novas alíquotas variarão entre 10% e 12,5% e começarão a valer à 0h01 de sexta-feira. Elas substituirão a tarifa global de 10% instituída em fevereiro por Donald Trump, com validade prevista para terminar no mesmo horário.
A cobrança será feita com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A norma autoriza a Presidência dos Estados Unidos a impor tarifas em resposta a práticas comerciais consideradas abusivas ou discriminatórias.
Na justificativa apresentada, o governo norte-americano afirmou que a ausência de leis eficazes contra a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado colocaria empresas dos Estados Unidos em desvantagem, já que elas estariam sujeitas a regras mais rigorosas.
Canadá e União Europeia também foram incluídos no grupo sujeito à tarifa de 10%. O Canadá já proíbe a entrada de produtos vinculados ao trabalho forçado, enquanto a União Europeia prevê implementar uma restrição semelhante em dezembro de 2027. Ainda assim, autoridades do governo Trump sustentam que as normas existentes não são aplicadas de maneira adequada.
A nova rodada tarifária não atingirá petróleo, gás e determinados recursos naturais. Também ficarão fora da cobrança os bens contemplados pelo acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá e os produtos já submetidos a tarifas de segurança nacional, como carros, aço e outros itens.



