Pular para o conteúdo
Pernambuco Notícias
Pernambuco Notícias

Explore o portal

Abreu e Lima

Lula ameaça retaliação contra tarifa dos EUA sobre aço brasileiro

Foto: Marcelo Camargo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (14) que o Brasil não aceitará passivamente a nova tarifa de 25% sobre as exportações de aço e alumínio para os Estados Unidos, imposta pelo governo americano. Lula declarou que o país poderá reagir comercialmente, denunciando a medida à Organização Mundial do Comércio (OMC) ou estabelecendo taxas sobre produtos importados dos EUA.

“Enquanto os EUA tiverem uma relação civilizada e harmônica com o Brasil, está tudo bem. Agora, ouvi dizer que vão taxar o aço brasileiro. Se taxar, vamos reagir comercialmente ou vamos denunciar na OMC ou vamos taxar os produtos que a gente importa deles”, afirmou o presidente em entrevista à Rádio Clube do Pará.

A decisão do governo dos EUA, anunciada pelo presidente Donald Trump na última segunda-feira (10), afeta diretamente o Brasil, que foi o segundo maior fornecedor de aço para os americanos em 2024, ficando atrás apenas do Canadá. O movimento é visto como parte de uma estratégia mais ampla de Trump para proteger a indústria americana, mas tem gerado temores de uma guerra comercial global.

Governo brasileiro dividido sobre resposta à medida de Trump

A declaração de Lula contrasta com a postura adotada até o momento por seus principais ministros, que têm defendido o diálogo como a melhor solução. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente e ministro do Comércio e Indústria, Geraldo Alckmin, buscaram adotar um tom mais conciliador, enfatizando a necessidade de negociação antes de qualquer retaliação.

Alckmin sugeriu que o Brasil tente manter o acordo de cotas firmado em 2018, ainda no primeiro mandato de Trump. “O que foi feito anteriormente? Cotas. Essa é uma boa solução. Então, o caminho é o diálogo”, disse o vice-presidente.

Lula endurece tom e diz que relação com EUA deve ser “igualitária”

Durante a entrevista, Lula também comentou sobre seu relacionamento com Trump, minimizando qualquer laço pessoal entre os dois líderes. “Não há relacionamento. Existe relação entre governos”, afirmou o presidente. Ele reforçou que o Brasil deseja “paz e tranquilidade”, mas que responderá caso haja ações prejudiciais ao país.

“A relação do Brasil com os EUA é muito igualitária. Eles importam US$ 40 bilhões do Brasil. Nós importamos US$ 45 bilhões. Se houver alguma atitude negativa contra o Brasil, haverá reciprocidade”, declarou.

A reação de Lula sugere que o governo pode adotar uma postura mais firme contra as novas medidas protecionistas dos EUA, o que pode tensionar ainda mais a relação comercial entre os dois países. O desfecho dessa disputa pode impactar setores estratégicos da economia brasileira e influenciar a política externa nos próximos meses.

Leia também