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Violência no Cabo de Santo Agostinho volta a assustar em janeiro

Aumentou em 250% o número de tiroteios em janeiro de 2022 no Cabo de Santo Agostinho, em comparação com o mesmo mês em 2021, segundo Relatório Mensal do Instituto Fogo Cruzado. O número de mortos quadruplicou (sete em 2021, 29 em 2022) e, em menos de uma semana, houve seis assassinatos no município. A cidade vive uma disputa entre grupos armados.

Para Edna Jatobá, coordenadora do Gajop e representante do Fogo Cruzado em Pernambuco, a atual política de segurança pública não está acompanhando a dinâmica dos crimes no Cabo e está perdendo a oportunidade de utilizar a inteligência para prevenir a violência armada na região. “A maneira e o tempo em que as facções vêm atuando na cidade revelam que estão confiantes na impunidade e no sucateamento de setores da inteligência da polícia civil”, afirma Jatobá.

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Cabo de Santo Agostinho vem chamando atenção em relação à alta violência desde o ano passado. Os meses de setembro, outubro e novembro de 2021 foram os períodos com mais tiroteios no Cabo desde 2018, segundo o Relatório Anual do Instituto Fogo Cruzado. Nessa mesma época, a população ficou refém do medo depois que um toque de recolher começou a ser difundido em grupos de Whatsapp, em outubro. 

Apesar da alta, Cabo de Santo Agostinho ficou atrás de Recife e de Jaboatão dos Guararapes nos números absolutos da violência armada. Jaboatão dos Guararapes, com 36 registros, teve um aumento de 57% em comparação com 2021, quando houve 23 tiroteios. Entre todas as cidades da Região Metropolitana Recife permanece com o maior número de tiroteios no mês, com 42 registros, porém em queda de 19% em comparação com janeiro de 2021 (52). 

Jaboatão foi a cidade com o maior número de baleados em janeiro. Ao todo, foram 43 vítimas – 25 mortos e 18 feridos, o que representa um aumento de 72% na comparação com janeiro de 2021. Naquele período do ano passado, houve 25 vítimas – 16 mortos e nove feridos.

Os municípios da Região Metropolitana do Recife mais afetados pela violência armada em janeiro foram:

  • Recife: 42 tiroteios, 28 mortos e 14 feridos
  • Jaboatão dos Guararapes: 36 tiroteios, 25 mortos e 18 feridos
  • Cabo de Santo Agostinho: 28 tiroteios, 29 mortos e 8 feridos
  • Olinda: 10 tiroteios, 9 mortos e 2 feridos
  • Paulista: 9 tiroteios, 5 mortos e 3 feridos
  • Igarassu: 7 tiroteios, 3 mortos e 5 feridos

Janeiro em dados

Durante o mês de janeiro, houve 159 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Recife. O número de registros apresentou aumento em relação ao mesmo período de 2021, quando houve 133 tiroteios, subindo 20% de um ano para o outro.

Em relação aos baleados, o aumento foi um pouco mais expressivo. Houve 178 vítimas em janeiro deste ano (sendo 115 mortas e 63 feridas) e 141 em janeiro de 2021 (sendo 87 mortas e 54 feridas). Em média, seis pessoas foram baleadas por dia no Grande Recife em janeiro deste ano.

Janeiro houve aumento de 7% nos tiroteios, 7% nos mortos, e 24% nos feridos, quando em comparação com o mês anterior, dezembro de 2021, que concentrou 149 tiroteios/disparos de arma de fogo, deixando 149 pessoas baleadas – sendo 107 mortas e 42 feridas.

O dia 19 foi a data o mais impactada pela violência armada, com 13 tiroteios e 10 feridos, O dia 9, com 11 vítimas, concentrou o maior número de mortos.

Dos 159 tiroteios/disparos de arma de fogo ocorridos na Região Metropolitana do Recife em janeiro, em 95% deles houve vítimas (mortos e/ou feridos).

Mapa da violência

Os cinco bairros da Região Metropolitana do Estado mais afetados pela violência armada no mês foram:

  • Ponte dos Carvalhos – Cabo de Santo Agostinho: 6 tiroteios, 6 mortos e 2 feridos
  • Barra da Jangada – Jaboatão dos Guararapes: 6 tiroteios, 4 mortos e 3 feridos
  • Dois Carneiros – Jaboatão dos Guararapes: 4 tiroteios e 5 mortos 
  • Muribeca – Jaboatão dos Guararapes: 4 tiroteios, 3 mortos e 2 feridos
  • Vasco da Gama – Recife: 4 tiroteios, 3 mortos e 1 ferido

O perfil da violência em janeiro

  • Entre os 115 mortos por arma de fogo na Região Metropolitana do Recife em janeiro, 97% (112) eram homens e 3% (3) eram mulheres. Entre os 63 feridos, 89% (56) eram homens e 11% (7) eram mulheres.
  • Ao todo, houve 12 casos de homicídios múltiplos no Grande Recife, deixando 24 mortos no total (todos homens). Em janeiro de 2021 houve somente um caso de homicídio duplo (ambos homens).
  • 24 pessoas foram baleadas quando estavam dentro de casa: 17 morreram (16 homens e uma mulher) e sete ficaram feridas (quatro homens e três mulheres). O número de baleados foi quatro vezes maior em comparação com janeiro de 2021. Naquele período do ano passado foram cinco vítimas: quatro mortos (três homens e uma mulher) e um homem ferido.
  • Houve nove casos de roubos ou tentativas de roubo que terminaram em tiros no Grande Recife. Ao todo, 11 pessoas foram baleadas nestes casos: três morreram e oito ficaram feridas. Em janeiro de 2021 houve 11 casos de roubos e tentativas que deixaram 12 baleados no total (quatro mortos e oito feridos).
  • Uma criança (com idade inferior a 12 anos), 12 adolescentes (entre 12 e 17 anos) e dois idosos ficaram feridos no Grande Recife: destes, nove adolescentes e um idoso morreram. Em janeiro de 2021, uma criança e dois adolescentes foram baleados: destes, os dois adolescentes morreram.
  • Sete pessoas foram vítimas de bala perdida no Grande Recife: duas morreram e cinco ficaram feridas. Em janeiro de 2021, uma pessoa foi morta por bala perdida.
  • Não houve motoristas de aplicativo baleados no Grande Recife. No mesmo período de 2021, um motorista de aplicativo foi baleado e morreu.
  • Não houve vendedores ambulantes foi baleados no Grande Recife. Em janeiro de 2021, também houve um vendedor ambulante baleado e morreu.
  • 10 pessoas foram baleadas quando estavam dentro de bares do Grande Recife: nove morreram e uma ficou ferida. Em janeiro de 2021, três pessoas foram baleadas dentro de bares: duas morreram e uma ficou ferida.
  • Dois policiais militares foram baleados no Grande Recife: um morreu. Em janeiro de 2021 também houve dois agentes baleados (um policial rodoviário federal e um bombeiro): o bombeiro morreu.

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. 

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 20 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e, em breve, em mais cidades brasileiras.

Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto.

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