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Venezuela ignora cobrança de dívida bilionária com o BNDES e negociações estão paralisadas

 Foto: Ricardo Stuckert / PR

A Venezuela tem ignorado as tentativas do Brasil de reabrir negociações sobre uma dívida que já soma 1,7 bilhão de dólares (cerca de R$ 9,8 bilhões), referentes a empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O montante, que corresponde principalmente a financiamentos de exportações brasileiras, permanece em aberto sem qualquer perspectiva de pagamento.

De acordo com documento do Ministério da Fazenda, divulgado após solicitação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o governo venezuelano não respondeu às comunicações diplomáticas, o que levou à suspensão das tratativas. O parlamentar expressou preocupação com o impacto fiscal da inadimplência e questionou o prejuízo causado aos cofres públicos.

A dívida se origina de financiamentos para obras executadas por empresas brasileiras na Venezuela, como a expansão do metrô de Caracas e a construção da Siderúrgica Nacional. Segundo a secretária de Assuntos Internacionais da Fazenda, Tatiana Rosito, US$ 1,26 bilhão já foi coberto pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE), instrumento que protege os bancos e exportadores em casos de calote.

Embora os bancos financiadores e empresas tenham recebido os valores devidos por meio do seguro, o rombo recai agora sobre a União, responsável por honrar os compromissos assumidos no modelo de garantia pública. O restante da dívida corresponde a juros de mora que continuam se acumulando.

O governo brasileiro ainda busca uma solução por meio de cobranças diplomáticas, contatos diretos com autoridades venezuelanas e alertas a instituições como o Clube de Paris. No entanto, por tratar-se de uma dívida soberana, as opções de cobrança são limitadas e dependem da disposição do país devedor.

As negociações entraram em impasse desde que o Brasil vetou o ingresso da Venezuela como membro do Brics, o que esfriou as relações diplomáticas. Apesar das promessas de cooperação feitas por Lula e Maduro em outubro de 2023, nenhuma proposta concreta de pagamento foi efetivada.

Enquanto isso, o valor da dívida continua crescendo, e não há previsão de retomada das discussões ou qualquer indício de que a Venezuela irá regularizar a pendência.

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