Trump cobra do Brasil ações contra PCC e Comando Vermelho em documento sobre narcotráfico
Presidente dos Estados Unidos afirma que facções ampliaram participação no fluxo internacional de cocaína e pede medidas mais duras do governo brasileiro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, direcionou críticas ao governo brasileiro ao tratar do combate ao narcotráfico internacional. Em documento presidencial sobre países ligados ao trânsito e à produção de drogas, o republicano afirmou que o Brasil não conseguiu enfrentar adequadamente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
As duas organizações criminosas foram classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras em maio deste ano. No novo documento, Trump sustenta que a atuação das facções contribuiu para transformar o território brasileiro em um ponto relevante das rotas internacionais de cocaína.
A avaliação apresentada por Washington é de que PCC e Comando Vermelho representam uma ameaça crescente à segurança internacional. A partir dessa interpretação, o presidente norte-americano defende que o governo brasileiro adote medidas mais rigorosas para impedir a expansão das organizações criminosas.
A posição dos Estados Unidos sobre as facções brasileiras já provocou divergências com Brasília. O governo brasileiro contestou anteriormente a classificação de PCC e CV como organizações terroristas, argumentando que o enfrentamento ao crime organizado deve respeitar a legislação nacional e as atribuições das instituições brasileiras.
No mesmo documento, Trump adotou um tom diferente ao avaliar outros países. A Índia foi mencionada pelos esforços contra o cultivo ilegal de papoula e pela atuação sobre cadeias de abastecimento, enquanto o governo norte-americano sinalizou interesse na continuidade da cooperação com Nova Délhi no combate às drogas.
Na América Latina, o texto também registra avaliações positivas sobre medidas adotadas por Peru, Argentina, Equador e El Salvador. No caso peruano, Trump destacou o compromisso apresentado pelo governo de Keiko Fujimori de cooperar com os Estados Unidos e outros parceiros no enfrentamento às organizações criminosas e ao tráfico de cocaína.
A Nicarágua, por outro lado, também recebeu críticas. Trump atribuiu ao governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo insuficiência nas ações contra o narcotráfico e fez acusações sobre suposto envolvimento de integrantes do regime com o comércio de drogas.
As declarações ampliam a pressão diplomática de Washington sobre Brasília em torno da estratégia de enfrentamento ao crime organizado transnacional. As afirmações de que o governo brasileiro falhou no combate às facções e de que o país se tornou um centro relevante do fluxo mundial de cocaína representam a avaliação do governo Trump sobre o tema.