
Os Correios reconheceram nesta quinta-feira (19) que a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 afetou diretamente o caixa da estatal. A mudança, associada ao programa Remessa Conforme, abriu espaço para transportadoras privadas atuarem em um mercado que antes era praticamente dominado pela empresa pública.
O impacto já aparece nos números. A estatal calcula uma frustração de receita de R$ 2,2 bilhões e informou que o faturamento no terceiro trimestre de 2025 caiu 12,7%. Em comparação anual, a redução é ainda mais expressiva no segmento internacional: a arrecadação despencou de R$ 3,2 bilhões para R$ 1,1 bilhão.

Além da queda nas receitas, os Correios acumulavam, até setembro, dívidas que somavam R$ 3,7 bilhões. O cenário pressiona o fluxo de caixa e impõe desafios para manter a sustentabilidade financeira da empresa.
Para tentar reverter a crise, a direção anunciou um plano robusto de captação de recursos, com meta de levantar R$ 12 bilhões. Entre as medidas previstas estão revisão de despesas, ajustes operacionais e o leilão de 21 imóveis considerados ociosos. A expectativa é arrecadar cerca de R$ 1,5 bilhão apenas com a venda desses ativos.
A empresa afirma que as iniciativas não devem comprometer o atendimento ao público nem a prestação de serviços postais no país. O desafio, no entanto, será equilibrar as contas em um ambiente mais competitivo e com mudanças regulatórias que alteraram a dinâmica do comércio internacional.
Os próximos meses serão decisivos para avaliar se as medidas serão suficientes para estancar as perdas e recuperar a estabilidade financeira da estatal.








