
Um medicamento tradicionalmente indicado para tratar disfunção erétil em homens passou a ser consumido de forma recreativa por jovens no Brasil e preocupa especialistas da área de saúde. Nas redes sociais, a tadalafila — apelidada de “tadala” — vem sendo divulgada como se fosse uma solução rápida para melhorar desempenho sexual e até potencializar treinos na academia.
A prática tem se espalhado principalmente entre homens jovens que não possuem diagnóstico de disfunção erétil. O uso costuma ocorrer sem orientação médica, muitas vezes influenciado por vídeos nas redes sociais que prometem resultados milagrosos.

Especialistas alertam que essas promessas não possuem comprovação científica. O medicamento foi desenvolvido para tratar problemas específicos de ereção relacionados a causas orgânicas e não oferece benefícios reais para quem não apresenta a condição.
A tadalafila pertence ao grupo de medicamentos chamados inibidores da fosfodiesterase tipo 5, que também inclui substâncias conhecidas como sildenafila e vardenafila. Esses fármacos atuam relaxando os tecidos do pênis e aumentando o fluxo sanguíneo, facilitando a ereção em pacientes com diagnóstico clínico.
Para homens saudáveis, no entanto, o remédio não aumenta o tamanho do pênis, não prolonga a relação sexual e não garante ereções mais duradouras. A sensação relatada por alguns usuários, descrita como “pump”, está ligada principalmente à vasodilatação momentânea e a fatores psicológicos.
Pesquisas recentes mostram que o uso recreativo é motivado por diversos fatores comportamentais. Entre eles estão curiosidade sobre os efeitos do medicamento, busca por maior confiança, pressão por desempenho sexual e tentativa de reduzir ansiedade antes da relação.
Especialistas explicam que, nesses casos, o efeito percebido costuma ser mais psicológico do que fisiológico. A crença de que o medicamento melhora o desempenho pode aumentar a autoconfiança momentaneamente, funcionando como uma espécie de apoio mental.
Apesar disso, o consumo sem indicação médica pode provocar efeitos colaterais importantes. Entre os sintomas mais comuns estão vermelhidão no rosto, congestão nasal, dor de cabeça e queda de pressão.
Em situações mais graves, o uso inadequado pode provocar taquicardia, desmaios, alterações na visão ou audição e até problemas cardíacos como infarto e acidente vascular cerebral. Há também o risco de priapismo, condição caracterizada por ereção prolongada e dolorosa que exige atendimento médico imediato.
Outro problema apontado por especialistas é a possível dependência psicológica. Jovens podem passar a acreditar que só conseguem ter bom desempenho sexual utilizando o medicamento, o que aumenta inseguranças e pressões durante a relação.
Pesquisas internacionais também mostram que grande parte dos usuários consome esses remédios sem orientação médica. Um estudo com mais de 92 mil homens jovens revelou que mais da metade dos que utilizaram medicamentos para disfunção erétil o fizeram sem prescrição adequada.
A situação se torna ainda mais preocupante devido à venda de produtos irregulares pela internet. Algumas formulações, como gomas e suplementos que prometem efeitos semelhantes, não possuem registro sanitário e podem apresentar riscos adicionais à saúde.
Especialistas defendem que o combate ao uso indiscriminado deve envolver campanhas de informação e maior orientação por parte de profissionais de saúde. Farmacêuticos também têm papel importante ao exigir prescrição médica e orientar sobre o uso correto.
A recomendação é clara: medicamentos como tadalafila, sildenafila e vardenafila devem ser utilizados apenas com indicação médica. Em casos de dificuldade de ereção recorrente, o mais indicado é procurar um urologista ou especialista em saúde sexual para avaliação adequada e definição do tratamento correto.








