
Representantes do setor supermercadista se manifestaram nesta segunda-feira (12) em defesa da adoção do contrato de trabalho por hora como alternativa para enfrentar a escassez de mão de obra. O tema foi destaque na abertura do Apas Show, um dos maiores eventos do setor de alimentos e bebidas da América Latina, realizado em São Paulo.
Segundo Erlon Ortega, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), há atualmente cerca de 35 mil vagas abertas no estado de São Paulo que os empregadores não conseguem preencher. Ele apontou a resistência de parte dos trabalhadores ao modelo tradicional de jornada como principal obstáculo. “O jovem não quer mais o modelo antigo de trabalho. Ele quer flexibilidade e liberdade. Precisamos discutir urgentemente o modelo horista”, afirmou, defendendo ainda a conexão entre essas vagas e programas sociais.
Ortega também sugeriu que os supermercados sejam reconhecidos oficialmente como serviço essencial, alegando que o setor teve papel crucial no abastecimento do país durante a pandemia de COVID-19.
O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, também se posicionou a favor da remuneração por hora, argumentando que o modelo oferece maior autonomia ao trabalhador.
A discussão, no entanto, ocorre em meio a polêmicas. O contrato de trabalho intermitente, introduzido na reforma trabalhista de 2017, é alvo de críticas de sindicatos e entidades trabalhistas, que o consideram uma forma de precarização. Entre os pontos questionados estão a possibilidade de remunerações abaixo do salário mínimo e a fragilização da organização coletiva dos trabalhadores. Apesar das controvérsias, o Supremo Tribunal Federal validou, em 2024, a constitucionalidade desse tipo de contrato.
O debate sobre a flexibilização das relações de trabalho promete se intensificar nos próximos meses, com os supermercados pressionando por mudanças que atendam às novas dinâmicas do mercado e ao perfil dos trabalhadores mais jovens.
