
Os constantes casos de feminicídios registrados em todo o Estado, inclusive acontecendo em realidades próximas em Gravatá e no Agreste, chamam a atenção para uma realidade estarrecedora. São práticas já entranhadas na cultura do entendimento de que a mulher é propriedade do homem. Uma das maiores motivações para o crime é a simples “não aceitação” do fim de um relacionamento.
Até o mês de julho, haviam sido contabilizadas 45 mortes violentas de mulheres em Pernambuco, e mesmo com a pequena redução em comparação ao ano passado, a situação é grave. Segundo a Secretaria Estadual da Mulher, 99% das vítimas não haviam denunciado os agressores nem buscado ajuda.
A denúncia é fundamental, porque a violência começa com agressões verbais e violência psicológica, podendo evoluir para agressões físicas e, por fim, no crime de feminicídio consumado. Pessoas da família e vizinhança, inclusive os homens, devem ser parceiros na proteção das vítimas.
Em Pernambuco, são 14 delegacias especializadas no atendimento à mulher, um número ainda insuficiente para a população do Estado. Nos locais que não contam com as unidades, as vítimas podem procurar a delegacia mais próxima, registrar a ocorrência e já solicitar a medida protetiva de urgência. Contudo, são necessárias ações estruturadas para um atendimento mais efetivo, a tempo de se evitar o crime.
Para a candidata a deputada estadual Silmara Enfermeira, a pauta da Saúde não deve estar desvinculada da prevenção e combate à violência, e por isso deve haver sempre o cuidado da equipe de atendimento nos hospitais, UPAs, postos de saúde e clínicas, para distinguir entre o que são sintomas de doença ou marcas de agressões.

“O nosso projeto de lei para implantação de Clínicas da Mulher e de uma Casa de Apoio à Mulher em Gravatá e no Agreste do Estado, é justamente em direção ao atendimento no âmbito dos diversos direitos da mulher, para que os benefícios destinados a elas sejam efetivos de forma ampla”, afirma Silmara.
