Cabo de Santo Agostinho

Secretária da Prefeitura do Cabo é indiciada após polícia concluir que atentado na PE-28 foi armado

, A Polícia Civil de Pernambuco concluiu que a suposta tentativa de homicídio registrada na PE-28, estrada que dá acesso à praia de Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho, teria sido forjada pelos próprios envolvidos no caso. Entre os indiciados está a secretária executiva da Prefeitura do Cabo, Aline Melo. O resultado das investigações foi […]

Clebson Amsterdan Atualizado em 18 de maio de 2026

,

A Polícia Civil de Pernambuco concluiu que a suposta tentativa de homicídio registrada na PE-28, estrada que dá acesso à praia de Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho, teria sido forjada pelos próprios envolvidos no caso. Entre os indiciados está a secretária executiva da Prefeitura do Cabo, Aline Melo.

O resultado das investigações foi apresentado nesta segunda-feira (18), durante coletiva de imprensa conduzida pela delegada Myrthor Freitas, titular da 14ª Delegacia de Homicídios, e pelo delegado Eduardo Tabosa.

O caso começou a ser investigado no fim de março, após a secretária e o motorista procurarem a polícia afirmando que haviam sido alvo de disparos enquanto trafegavam pela rodovia estadual. Segundo a versão apresentada inicialmente, os dois seguiam para Gaibu quando uma motocicleta teria tentado ultrapassar o veículo pelo acostamento antes dos tiros serem efetuados.

O motorista relatou à polícia que ouviu os disparos pouco depois de perceber a aproximação da moto e pediu para que a passageira se abaixasse dentro do carro.

As investigações, no entanto, tomaram outro rumo após a análise de imagens de câmeras de segurança instaladas no início da PE-28. Em uma das gravações, os policiais identificaram uma motocicleta parada no acostamento com características semelhantes às descritas pelo motorista. Pouco depois, o carro das supostas vítimas também parou no local.

Segundo a polícia, os ocupantes do veículo e o motociclista permaneceram conversando por cerca de 17 segundos antes de seguirem viagem.

A descoberta levantou suspeitas e levou os investigadores a aprofundarem as diligências. Durante o trabalho policial, surgiu a informação de que o pai do motorista possuía uma moto semelhante à registrada nas imagens.

Chamado para depor, ele negou inicialmente ter passado pela PE-28 no dia do caso. Porém, após ser confrontado com as gravações, admitiu que era o homem flagrado no acostamento.

De acordo com o depoimento, o encontro teria ocorrido para a entrega de “canetas emagrecedoras” que seriam levadas até Gaibu. Para a polícia, o fato de o encontro não ter sido mencionado anteriormente aumentou as suspeitas sobre uma possível armação.

Enquanto o motorista permaneceu em silêncio após ser confrontado pelas autoridades, acompanhado de advogados, Aline Melo apresentou versões diferentes ao longo do depoimento. Primeiro, afirmou não lembrar da parada na estrada. Depois, disse apenas ter percebido que o motorista teria pego ou entregue algum objeto durante a rápida conversa.

A investigação concluiu que os disparos realmente aconteceram. O carro passou por perícia e foram identificadas duas marcas de tiros no veículo. Segundo a Polícia Civil, os disparos teriam sido efetuados justamente pelo pai do motorista, que conduzia a motocicleta.

A delegada Myrthor Freitas destacou que a situação colocou a própria secretária em risco. Segundo ela, os tiros passaram próximos da janela onde Aline estava sentada e poderiam ter causado uma tragédia.

A polícia também apontou que o motociclista assumiu o risco de atingir os ocupantes do veículo ao efetuar disparos em movimento, durante a noite, em um trecho com pouca iluminação e sem monitoramento por câmeras.

Outro detalhe considerado decisivo foi o retorno dos veículos após o suposto atentado. Imagens analisadas mostram que moto e carro passaram novamente pelo trecho poucos minutos depois, com diferença de apenas três a quatro minutos entre eles.

Para os investigadores, o curto intervalo reforçou a tese de que houve combinação prévia entre os envolvidos.

Ao final do inquérito, Aline Melo e o motorista foram indiciados pelos crimes de fraude processual, falsa comunicação de crime e denunciação caluniosa. Já o pai do motorista responderá por fraude processual e tentativa de homicídio.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco, que agora decidirá se oferece denúncia à Justiça.

Em nota, a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho informou que afastou Aline Melo e o motorista citado no caso após tomar conhecimento das conclusões da Polícia Civil. A gestão municipal afirmou ainda que acompanhará o andamento das investigações e adotará medidas administrativas caso haja confirmação das irregularidades.