Recife

Redução de ISS para casas de apostas no Recife provoca críticas e levanta debate sobre impactos sociais

Uma mudança no Código Tributário do Recife, sancionada em abril pelo prefeito João Campos (PSB), tem gerado repercussão negativa nas redes sociais nos últimos…

Clebson Amsterdan Atualizado em 21 de maio de 2025
Foto: Edson Holanda

Uma mudança no Código Tributário do Recife, sancionada em abril pelo prefeito João Campos (PSB), tem gerado repercussão negativa nas redes sociais nos últimos dias. A Lei Municipal nº 15.563 reduziu de 5% para 2% a alíquota do Imposto sobre Serviços (ISS) incidente sobre atividades de jogos, loterias e sorteios, incluindo as casas de apostas online, conhecidas como “bets”.

Com a alteração, essas empresas passam a recolher o mesmo percentual de imposto aplicado aos negócios do setor de tecnologia instalados no Porto Digital, que desde 2006 contam com um programa de incentivo fiscal. De acordo com a administração municipal, a medida busca assegurar competitividade ao Recife frente a outras cidades brasileiras que também praticam a alíquota reduzida, evitando a evasão de arrecadação num setor regulamentado nacionalmente em 2023. A expectativa oficial é de que a arrecadação ultrapasse R$ 60 milhões anuais.

Apesar da justificativa econômica, o ajuste tributário despertou preocupações. Críticos temem que a medida funcione como um estímulo às operações dessas empresas, frequentemente associadas a jogos de azar, com potenciais riscos de causar dependência e impactos negativos à saúde pública. O tema, inclusive, está sob investigação em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional, que apura vínculos entre casas de apostas e influenciadores digitais.

As críticas se intensificaram nas redes sociais, onde usuários apontaram uma possível relação entre a aprovação da nova legislação e o apoio financeiro de casas de apostas a eventos promovidos pela Prefeitura do Recife. Em resposta, a gestão municipal negou que a alteração configure um benefício fiscal específico para as “bets”, sustentando que a mudança visa apenas ajustar o município ao novo contexto legal e tributário nacional.