Recife: aumento de doenças respiratórias em crianças acende alerta e Estado abre novos leitos; confira as medidas

O aumento de doenças respiratórias em crianças já mobiliza a rede pública de saúde e levou o governo estadual a reforçar a estrutura hospitalar. Pernambuco abriu novos leitos e ativou um plano especial para enfrentar a sazonalidade de vírus respiratórios que costuma atingir com mais força o público infantil.
A estratégia começou a ser executada antes mesmo do período mais crítico, que vai de março a agosto. Neste intervalo do ano, historicamente cresce o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) entre crianças.
Como parte do plano de contingência, a Secretaria Estadual de Saúde colocou em funcionamento novos leitos voltados ao atendimento pediátrico. Ao todo, já foram abertos 43 leitos específicos para lidar com casos graves de doenças respiratórias.
Na rede própria do Estado foram criados 24 leitos de enfermaria destinados ao tratamento da Srag. Eles estão distribuídos entre os hospitais Barão de Lucena, Jaboatão Prazeres e Geral de Areias, no Recife, além do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns.
Além dessa estrutura, a rede complementar também passou a oferecer suporte ao sistema público. O Hospital Vale do Una, em Palmares, disponibilizou 10 leitos de UTI pediátrica, enquanto o Centro Hospitalar Santa Maria, em Vitória de Santo Antão, passou a contar com 9 leitos de enfermaria voltados para esses atendimentos.
Segundo a gestão estadual, o objetivo é agir de forma preventiva para evitar sobrecarga na rede hospitalar durante os meses de maior circulação de vírus respiratórios. A estratégia também inclui monitoramento constante da ocupação de leitos, pedidos de internação e índices de detecção de vírus.
Os dados mais recentes mostram a dimensão do problema. Até o dia 28 de fevereiro de 2026, Pernambuco registrou 504 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Desse total, 248 ocorrências — quase metade — foram em crianças de até dois anos de idade.
O cenário segue a tendência observada no ano passado. Em 2025, foram registrados 7.375 casos de Srag no Estado, sendo mais da metade envolvendo crianças nessa mesma faixa etária.
Paralelamente à ampliação da rede hospitalar, o Estado também investe em prevenção. Uma das principais medidas é a vacinação de gestantes contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por infecções como bronquiolite e pneumonia em bebês.
A vacinação começou em dezembro e já imunizou 25.836 gestantes. A dose é indicada a partir da 28ª semana de gravidez e permite que anticorpos sejam transmitidos da mãe para o bebê, protegendo a criança nos primeiros meses de vida, período considerado mais vulnerável.
Outra medida adotada foi a disponibilização do anticorpo monoclonal nirsevimabe pelo Sistema Único de Saúde. O imunobiológico é direcionado principalmente a bebês prematuros e crianças pequenas com comorbidades que aumentam o risco de complicações respiratórias.
A recomendação nacional também orienta os municípios a localizar e imunizar crianças que se enquadram nos critérios, especialmente prematuros e menores de dois anos com condições de saúde específicas.
Com a chegada do período de maior circulação de vírus respiratórios, a expectativa das autoridades de saúde é manter o monitoramento constante da situação e ampliar a capacidade de resposta da rede hospitalar para proteger principalmente os bebês e crianças pequenas.



