
O climatério, fase que antecede a menopausa, marca o fim do período fértil da mulher e traz consigo mudanças físicas e psicológicas significativas, provocadas pela queda nos níveis de estrogênio e progesterona. A importância desse período para a saúde das mulheres tem gerado debates no Senado, onde tramita o Projeto de Lei 3.933/2024, de autoria do senador Mecias de Jesus, que visa garantir atendimento especializado no Sistema Único de Saúde (SUS) para mulheres que enfrentam essa fase. A senadora Teresa Leitão (PT-PE), relatora do projeto na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), defende que o SUS precisa adaptar seu foco, tradicionalmente voltado para a mulher em idade reprodutiva, para incluir de forma adequada as necessidades de mulheres no climatério e menopausa.
Em uma audiência pública realizada na CAS no dia 16 de outubro, Teresa Leitão enfatizou a necessidade de avançar no atendimento à saúde da mulher, especialmente no que diz respeito à fase do climatério. A audiência contou com a participação de especialistas da área de saúde e representantes de associações, como Adriana Ferreira, da Associação Menopausa Feliz, que destacou os impactos dessa fase no bem-estar das mulheres.
A senadora destacou que o projeto abrange diversos aspectos do atendimento, incluindo a disponibilização de medicamentos hormonais e não hormonais, exames preventivos, capacitação de médicos para lidar com o climatério e a menopausa, além de acompanhamento psicológico e multidisciplinar especializado. “O eixo do projeto é extremamente meritório. A questão que se apresenta para nós é o que e como faremos isso”, disse Teresa Leitão, apontando que o grande desafio será instrumentalizar o Estado e conscientizar a sociedade sobre a importância do tema.
Atualmente, cerca de 30% da população brasileira é composta por mulheres que enfrentam o climatério ou a menopausa. Com o aumento da longevidade e a queda nas taxas de natalidade, o atendimento às mulheres mais velhas tornou-se uma prioridade global. O projeto de lei em discussão busca corrigir a lacuna no SUS, que até então concentra esforços na saúde reprodutiva de mulheres jovens.
A audiência contou também com a participação da especialista em ginecologia endócrina Fabiane Berta, a médica ginecologista Maria Socorro Medeiros de Morais, idealizadora do Fórum Permanente de Defesa das Mulheres Idosas, e representantes do Ministério da Saúde e do Ministério das Mulheres. Todas ressaltaram a importância de um atendimento integral que contemple tanto a saúde física quanto o bem-estar emocional das mulheres que vivenciam essa fase de transição.
O PL 3.933 segue em tramitação no Senado e, caso aprovado, representará um avanço significativo no cuidado à saúde das mulheres no climatério e menopausa, garantindo acesso a tratamentos adequados e humanizados no SUS.
