Desde que o município de Gravatá anunciou a reconstrução do pontilhão da linha férrea localizado entre as ruas Dr. Amaury de Medeiros e Vereador Elias Torres, mediante decisão judicial de 2018, uma movimentação popular começou a se organizar para lutar contra essa obra.
O trecho da linha férrea foi destruído em 2015, durante a gestão do ex-prefeito Bruno Martiniano, com o objetivo de desobstruir o trânsito do local, que dá acesso aos bairros Boa Vista, Bairro Novo e Cohab II, era tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN e não poderia ser modificado ou demolido.
Diante disso, em 2018, durante a gestão do ex-prefeito Joaquim Neto, o município foi condenado a reconstruir o equipamento sob a pena de multa diária fixada no valor de R$10.000,00, o que dá R$3.650.000,00 ao ano.
Quando assumiu a gestão municipal, o prefeito Joselito Gomes tratou logo de iniciar a construção da ponte da Radial Urbana, que liga os bairros Cohab II e Porta Florada. O projeto da ponte já existia, no entanto, o valor destinado à obra não estava nos cofres do município. Foi quando o atual gestor, juntamente com as equipes de Obras e Finanças foram em busca da verba para a realização da obra que teve contrapartida de 33% do município.
Ponte construída com o objetivo de realocar o trânsito do pontilhão, agora é hora de reconstruir o equipamento da linha férrea, como determina a justiça, mas a população não aceitou e não recebeu bem a notícia e, no primeiro dia das obras de reconstrução, se manifestou no local veementemente contra a ação.
Procurada, a Prefeitura de Gravatá afirma que “mesmo depois de várias tentativas de apresentar novo projeto, a Justiça Federal, a pedido do MPF decidiu a reconstrução do patrimônio. Portanto, o município, independente de quem derrubou ou se comprometeu a reconstruir e não o fez, deverá executar a obra, que além de gerar despesas de grande importância ao tesouro municipal, por conta de multa fixada em R$10.000,00 por dia, irá causar impacto sobre a mobilidade urbana no local, que já sofre com o grande fluxo de veículos em horários de pico e, também, a necessidade de veículos de carga que precisam ter acesso a empreendimentos e indústrias na região.”
A Prefeitura ainda apela aos gravataenses que “não impeçam o trabalho que precisa acontecer, pois se não for cumprida a determinação judicial, além da multa, o prefeito Joselito Gomes poderá sofrer processo de improbidade administrativa. Quanto ao trânsito, as primeiras ações já estão desenhadas e outras serão tomadas, mas é necessário que todos façam a sua parte.”



