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Polícia prende suspeitos de aplicar golpes em falsas entrevistas de emprego no Recife

A Polícia Civil de Pernambuco identificou um esquema que usava falsas entrevistas de emprego para obter imagens do rosto das vítimas e acessar contas bancárias por reconhecimento facial. Quatro casos já foram relacionados à investigação, com prejuízo superior a R$ 500 mil. Dois suspeitos, ambos naturais do Paraná, foram presos. As apurações são conduzidas pela […]

Clebson Amsterdan Atualizado em 14 de setembro de 2026

A Polícia Civil de Pernambuco identificou um esquema que usava falsas entrevistas de emprego para obter imagens do rosto das vítimas e acessar contas bancárias por reconhecimento facial. Quatro casos já foram relacionados à investigação, com prejuízo superior a R$ 500 mil. Dois suspeitos, ambos naturais do Paraná, foram presos.

As apurações são conduzidas pela Delegacia de Polícia da Rio Branco, no Recife. O primeiro caso chegou à unidade em 31 de julho, quando uma vítima procurou a polícia após perder R$ 120 mil. Ela havia sido chamada para uma suposta seleção profissional em uma sala de coworking alugada pelo grupo.

Durante a falsa entrevista, os criminosos apresentavam formulários extensos e pediam que o candidato fizesse uma selfie, sob a justificativa de que a imagem integrava o processo seletivo. Também orientavam a pessoa a desligar o celular ou mantê-lo no silencioso. Enquanto a vítima permanecia ocupada, a fotografia era enviada a outro integrante do esquema, que tentava utilizar o reconhecimento facial para entrar em aplicativos bancários.

Segundo o delegado Ernesto Novaes, titular da Delegacia da Rio Branco, os suspeitos buscavam possíveis vítimas em redes sociais voltadas ao mercado profissional. A investigação indica que o grupo priorizava pessoas com perfil qualificado e aparente capacidade financeira elevada. As propostas ofereciam remunerações que podiam chegar a R$ 38 mil, além de benefícios.

Depois de conseguir acesso aos serviços bancários, os criminosos tentavam fazer transferências, contratar empréstimos e até financiar veículos em nome das vítimas. Para a polícia, a obtenção da imagem facial era uma etapa central do golpe, justamente porque o pedido era feito dentro de um ambiente apresentado como uma entrevista legítima.

O primeiro flagrante ocorreu em 6 de agosto, depois que os investigadores descobriram que a mesma sala de coworking havia sido novamente reservada. Um homem foi preso no local e autuado por furto mediante fraude eletrônica e uso de documento falso. Na ocasião, a vítima percebeu algo errado ao consultar o celular no banheiro e encontrar avisos do banco sobre uma tentativa de alteração de senha por reconhecimento facial.

Uma segunda prisão aconteceu em 9 de setembro, quando os policiais identificaram nova locação do mesmo espaço para outras entrevistas falsas. A intervenção impediu que novos prejuízos fossem consumados.

A Polícia Civil trabalha com a possibilidade de haver mais vítimas e investiga a participação de outros integrantes. De acordo com Ernesto Novaes, os homens presos em Pernambuco seriam apenas parte de uma organização maior, com divisão de tarefas e registros de golpes semelhantes em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Equipes pernambucanas mantêm contato com policiais de outros estados para aprofundar a apuração.

A recomendação para quem participa de processos seletivos é verificar previamente a existência da empresa e a identidade dos recrutadores. A polícia orienta ainda que candidatos desconfiem de ofertas muito acima dos valores praticados no mercado e não forneçam selfies, imagens faciais ou dados bancários durante entrevistas. Diante de pedidos desse tipo, a indicação é deixar o local e procurar as autoridades.