Polícia prende 14 suspeitos e investiga rede de agiotagem contra comerciantes no Cabo

Uma investigação iniciada após denúncias de comerciantes levou a Polícia Civil de Pernambuco a prender 14 pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de agiotagem e cobranças extorsivas no Cabo de Santo Agostinho. Colombianos e venezuelanos estão entre os detidos nas ações conduzidas pela delegacia do município.
Desde o início da repressão ao esquema, quatro flagrantes foram realizados. Além das prisões, os policiais apreenderam nove motocicletas, dinheiro, celulares, mais de dez capacetes e milhares de cartões utilizados para divulgar a oferta de empréstimos.
As apurações indicam uma estrutura com diferentes níveis de atuação. Haveria financiadores responsáveis pelo dinheiro, supervisores encarregados de determinadas áreas, pessoas dedicadas à divulgação e captação de clientes e cobradores que mantinham contato direto com os comerciantes. A Polícia Civil trabalha agora para determinar se essa organização configura formalmente uma organização criminosa e identificar outros possíveis responsáveis pelo financiamento e comando das atividades.
O caso começou a ser investigado em maio, depois que a Delegacia do Cabo de Santo Agostinho recebeu denúncias presenciais e anônimas. Os relatos apontavam a oferta de empréstimos com juros elevados e cobrança diária. Conforme a investigação, as dívidas se tornavam difíceis de quitar e os pagamentos realizados em dinheiro ou via Pix, inclusive para contas de familiares ou terceiros, nem sempre eram reconhecidos pelos cobradores.

Quando os comerciantes não conseguiam pagar os valores exigidos, a pressão aumentava. Os suspeitos teriam passado a visitar diariamente os estabelecimentos usando motocicletas, capacetes e balaclavas. As vítimas relataram intimidações, humilhações, ameaças e até situações em que produtos eram consumidos ou retirados dos comércios como forma de cobrança.
O monitoramento também alcançava a vida pessoal das vítimas. De acordo com a Polícia Civil, comerciantes recebiam mensagens e ligações acompanhadas de fotografias de suas lojas, casas e familiares. Algumas comunicações incluíam imagens relacionadas a armas e outros conteúdos intimidatórios. Segundo o delegado Altemar Mamede, gestor da 10ª Delegacia Seccional do Cabo de Santo Agostinho, ameaças continuaram sendo enviadas mesmo durante a formalização de um dos flagrantes, inclusive contra pessoas que haviam procurado a polícia.

O receio dos comerciantes em registrar formalmente as ocorrências foi um dos primeiros desafios enfrentados pelos investigadores. Diante disso, equipes passaram a observar áreas comerciais do Centro do Cabo para identificar a rotina dos cobradores. O acompanhamento permitiu mapear pontos de atuação e reunir elementos que posteriormente resultaram nas prisões.
A apuração aponta ainda que parte dos responsáveis pelas cobranças e pela distribuição de panfletos seria formada por estrangeiros recém-chegados ao Brasil. Segundo a investigação, eles teriam sido recrutados mediante promessa de trabalho, moradia, transporte e telefone. Motocicletas e despesas operacionais, incluindo combustível, seriam fornecidas pelos responsáveis pela estrutura.
A investigação é presidida pelo delegado Augusto de Castro e continua em andamento. A Polícia Civil busca esclarecer a extensão do esquema e verificar a participação de pessoas que poderiam ocupar posições superiores na estrutura, principalmente nas funções de financiamento e coordenação das cobranças.





