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Polícia Federal investiga fraude em concurso da UFAPE e cumpre 21 mandados em oito cidades de Pernambuco

Operação Ponto Cego apura suspeita de uso de pontos eletrônicos para transmitir respostas durante provas; computadores, celulares, veículos e documentos foram apreendidos.

Fotos: ASCOM PF

Um esquema suspeito de manipular resultados de concurso público realizado pela Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Federal. Nesta quarta-feira (4), agentes federais realizaram uma operação em oito municípios pernambucanos para reunir provas sobre a possível atuação de um grupo organizado que teria utilizado equipamentos eletrônicos para beneficiar candidatos durante a aplicação das provas.

Batizada de Operação Ponto Cego, a ação resultou no cumprimento de 21 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Nazaré da Mata, Buenos Aires, Garanhuns, Caruaru e Brejo da Madre de Deus, alcançando cidades da Região Metropolitana, Zona da Mata e Agreste de Pernambuco.

A principal linha de investigação aponta para a utilização de pontos eletrônicos, dispositivos que teriam permitido aos participantes receber respostas de maneira clandestina durante o concurso. A Polícia Federal busca esclarecer como o suposto esquema funcionava, quem seriam seus responsáveis e qual teria sido a participação individual de cada investigado.

Polícia apreende equipamentos e bens durante operação

Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais recolheram celulares, computadores, mídias eletrônicas e documentos que poderão ajudar a identificar a comunicação entre os suspeitos e os possíveis beneficiários da fraude.

Também foram apreendidos veículos e outros bens de valor. Segundo a Polícia Federal, há suspeitas de que parte desse patrimônio tenha sido adquirida com recursos provenientes das atividades investigadas.

Os materiais passarão por análise para auxiliar na reconstrução do funcionamento do suposto esquema. A investigação pretende identificar as responsabilidades de cada envolvido e verificar a existência de uma estrutura criminosa organizada para interferir na realização do concurso público.

Investigados podem responder por diferentes crimes

O inquérito está sob responsabilidade da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz), vinculada à Superintendência Regional da Polícia Federal em Pernambuco.

Dependendo das provas reunidas e da participação atribuída a cada suspeito, os investigados poderão responder por fraude em certames de interesse público, organização criminosa, associação criminosa, falsidade ideológica e falsificação de documento.

A Polícia Federal também não descarta a identificação de outras infrações penais durante o aprofundamento das investigações.

Até o momento, as informações divulgadas não detalham quantos candidatos teriam sido beneficiados, quais cargos estavam envolvidos ou se os resultados do concurso sofrerão alguma medida administrativa.

A Operação Ponto Cego segue em fase de investigação. A análise dos equipamentos e documentos apreendidos deverá contribuir para esclarecer a extensão das possíveis irregularidades e identificar os responsáveis. Os envolvidos permanecem sob investigação, sem que as suspeitas representem, por si só, comprovação de culpa.

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