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Polícia Civil aponta cobranças de R$ 20 mil para retirar publicações em caso envolvendo influenciador

Apresentação do Caso Espelho Turvo reúne relatos, conversas e transcrições de áudios sobre supostas exigências de dinheiro a presos e familiares em Pernambuco

Polícia Civil de Pernambuco

Cobranças de R$ 20 mil e exigências de pagamentos mensais para evitar ou retirar publicações das redes sociais estão entre os episódios descritos pela Polícia Civil de Pernambuco no Caso Espelho Turvo. Segundo a investigação, um influenciador com mais de 1 milhão de seguidores teria utilizado o alcance de seu perfil para pressionar presos e familiares. As acusações constam de uma apresentação preparada para uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (6), no Recife.

A apuração começou com notícias sobre supostos “toques de recolher” impostos por facções criminosas. De acordo com a polícia, os elementos relacionados a essa suspeita foram inconclusivos. Durante os depoimentos, porém, surgiram relatos sobre cobranças atribuídas ao responsável pelas publicações, abrindo uma nova frente de investigação.

Entre os materiais apresentados estão reproduções de conversas de WhatsApp e transcrições de áudios. Em uma troca de mensagens datada de outubro de 2024, um interlocutor pergunta sobre a retirada de conteúdos e afirma ter acabado de pagar R$ 20 mil. Em outro diálogo, de novembro daquele ano, aparecem referências a um acordo de R$ 2 mil por mês e questionamentos sobre a continuidade dos pagamentos.

A Polícia Civil também descreve uma negociação em janeiro de 2025 para apagar uma publicação. Nas mensagens e transcrições exibidas, uma proposta de R$ 3 mil é recusada, seguida de uma cobrança de R$ 7 mil. Posteriormente, há uma oferta de R$ 5 mil e a indicação de que o dinheiro deveria ser entregue em espécie. Os slides identificam essas conversas como reproduções visuais dos trechos, e não como capturas originais.

Outra linha da investigação envolve a suposta utilização do nome de um magistrado para obter dinheiro. Segundo a versão policial, o acusado insinuava ter influência para interferir no andamento de processos criminais. A apresentação afirma que essa promessa era falsa e que vítimas interromperam os repasses ao perceberem que os processos continuavam tramitando. O material não demonstra participação do magistrado no suposto esquema.

Parte das informações teria sido obtida a partir de um iPhone 11 pertencente a uma pessoa já falecida, entregue voluntariamente por familiares. A polícia afirma que a análise identificou orientações para pagamentos em dinheiro em estacionamentos de supermercados, além de transferências para contas de uma mulher apontada como intermediária. Conforme a apresentação, ela foi indiciada por lavagem de dinheiro por supostamente receber e repassar valores em favor do influenciador.

A cronologia apresentada informa que o inquérito foi instaurado em 13 de julho de 2026 e concluído em 16 de outubro. O Ministério Público ofereceu denúncia em 26 de outubro e, dois dias depois, a 15ª Vara Criminal recebeu a acusação, decretou a prisão preventiva e autorizou medidas cautelares. O documento registra ainda que o levantamento do sigilo processual foi deferido em 5 de novembro.

A apresentação também responde a questionamentos atribuídos à defesa sobre acesso às provas, intimação para interrogatório e endereço alvo de busca. A Polícia Civil sustenta que houve autorização de acesso aos elementos já documentados, com limitação parcial em relação aos dados brutos do celular analisado.

O material reúne a versão da investigação e não contém uma manifestação completa da defesa sobre as acusações. O recebimento da denúncia e a decretação de prisão preventiva não representam condenação. A apresentação também não informa se a ordem de prisão foi cumprida.

Tags: Caso Espelho Turvo, Polícia Civil de Pernambuco, influenciador, investigação, lavagem de dinheiro, redes sociais.

Fonte: Polícia Civil de Pernambuco.

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