
Pesquisadores do Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO) identificaram três episódios marcantes de transporte de poeira do deserto do Saara para a Floresta Amazônica entre janeiro e março deste ano. As partículas, que percorreram mais de 5 mil quilômetros impulsionadas por ventos secos e fortes, foram detectadas a altitudes entre 2 km e 5 km, cruzando o Oceano Atlântico até alcançar o território brasileiro.
A estação de pesquisa do ATTO, localizada no coração da floresta e equipada com uma torre de 325 metros de altura que monitora continuamente a composição do ar, registrou os picos de concentração de partículas finas (PM2.5) nos períodos de 13 a 18 de janeiro, 31 de janeiro a 3 de fevereiro, e de 26 de fevereiro a 3 de março. Nessas datas, os níveis de poeira chegaram a 20 μg/m³, um aumento expressivo em comparação à média de 4 μg/m³ durante a estação chuvosa.
A movimentação desse material está associada à posição da Zona de Convergência Intertropical, que durante o verão do hemisfério sul tende a se deslocar mais ao sul, favorecendo o transporte das partículas africanas até a América do Sul. O percurso pode durar de uma semana a até 14 dias, dependendo da velocidade dos ventos.
Ainda em investigação, os efeitos desse fenômeno incluem impactos na fertilidade do solo amazônico e na dinâmica de formação das nuvens, indicando que a poeira do Saara exerce uma influência direta sobre os processos ecológicos da região.
