Cultura

Pernambucana vence Prêmio Pierre Verger com série sobre Pretos Velhos da Jurema Sagrada

A fotógrafa pernambucana Uenni Mirielle, conhecida artisticamente como Uenni, foi a grande vencedora do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger 2025, um dos mais prestigiados do país. A artista foi reconhecida na categoria “Ancestralidades e Representações” com a série “Canjerê dos Pretos Velhos na Jurema Sagrada”, composta por 19 imagens registradas ao longo de três […]

Clebson Amsterdan Atualizado em 8 de dezembro de 2025

A fotógrafa pernambucana Uenni Mirielle, conhecida artisticamente como Uenni, foi a grande vencedora do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger 2025, um dos mais prestigiados do país. A artista foi reconhecida na categoria “Ancestralidades e Representações” com a série “Canjerê dos Pretos Velhos na Jurema Sagrada”, composta por 19 imagens registradas ao longo de três anos no Terreiro Ilê Axé Oxalá Talabi, localizado em Paratibe, município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife.

O trabalho vencedor retrata com sensibilidade e profundidade o cotidiano, os rituais e a espiritualidade dos Pretos Velhos na Jurema Sagrada, tradição afro-indígena muitas vezes alvo de intolerância religiosa. O reconhecimento, anunciado no final de novembro, durante o Mês da Consciência Negra, destaca a importância da preservação dos saberes ancestrais e da memória dos povos tradicionais.

Sem formação acadêmica formal, mulher negra e neta de trabalhadoras domésticas, Uenni vem construindo sua trajetória com base na vivência, no afeto e na escuta. Parte das imagens da série já havia rendido à artista outro importante reconhecimento: o Prêmio Mário de Andrade de Fotografias Etnográficas, em que foi a primeira mulher negra do Brasil a vencer na categoria série.

Com a conquista do Pierre Verger, Uenni passa a integrar a exposição e o catálogo da 10ª edição do prêmio, ampliando sua visibilidade no cenário nacional da fotografia contemporânea. A artista também vem promovendo ações educativas e culturais, e, recentemente, levou sua experiência a comunidades indígenas no Acre, fortalecendo seu trabalho como ferramenta de memória e resistência.

O Ilê Axé Oxalá Talabi, onde as imagens foram produzidas, é uma referência cultural e espiritual em Pernambuco. Fundado há mais de 30 anos, o terreiro é reconhecido como Patrimônio Vivo do Estado, Patrimônio Histórico e Cultural do Município de Paulista e Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais pelo IPHAN, sendo ainda sede do Ecomuseu Mímó Igbó, espaço dedicado à educação patrimonial e à preservação das tradições afro-indígenas.