
Na última quinta-feira (7), Paulo Rodrigo Lamenha, coordenador financeiro e morador do bairro de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, foi alvo de um ataque homofóbico após solicitar uma corrida pelo aplicativo 99. Paulo, que é gay, recebeu mensagens ofensivas do motorista identificado como Matheus, que escreveu: “Você não passa de um pedaço de lixo na terra. Parasita, vira homem”.
Dois dias antes, Paulo havia realizado uma corrida com o mesmo motorista e notou uma conduta fria, embora tenha considerado que o motorista poderia estar tendo um dia ruim. “No final, até desejei um bom dia, mas ele não respondeu e saiu rapidamente,” relatou.
Ao se deparar com as mensagens, Paulo denunciou o caso à Polícia Civil de Pernambuco, que abriu uma investigação por homotransfobia, classificando-o como injúria racial, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Este enquadramento prevê que casos de homofobia e transfobia sejam tratados como injúria racial, sem possibilidade de fiança e com responsabilização judicial indefinida.
Paulo também buscou suporte do aplicativo 99, mas relatou que a resposta da empresa foi insatisfatória. Segundo ele, a plataforma ofereceu um voucher de R$ 10 e se comprometeu a impedir o pareamento com o motorista em futuras corridas. “O retorno foi frio, classificando o caso como um simples ‘incidente’. Foi mais um exemplo de como a discriminação é banalizada”, comentou.
Em resposta ao ocorrido, a 99 informou que:
- Repudia qualquer forma de discriminação;
- Realizou o bloqueio do motorista e iniciou apurações internas;
- Fez contato com Paulo para oferecer “suporte e acolhimento necessários”;
- Compromete-se a colaborar com a investigação policial e investe em treinamentos para conscientizar os motoristas parceiros.
O caso levanta questões sobre o enfrentamento da homofobia nas plataformas de mobilidade e o suporte oferecido aos passageiros em situações de discriminação. Paulo espera que o caso seja um passo para mais ações concretas contra a homofobia, especialmente no ambiente digital.
Fonte: G1
