
A Justiça condenou o pai de uma estudante do campus Serra Talhada do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) por homofobia, ameaça e desacato contra um professor da instituição. A pena fixada foi de 2 anos e 7 meses de prisão.

O caso aconteceu após o acusado enviar mensagens de áudio pelo WhatsApp ao docente em novembro de 2023. Nas gravações, ele faz ameaças diretas de agressão física e utiliza expressões de cunho homofóbico ao atacar o professor.

Segundo a sentença, os áudios foram enviados depois de um conflito envolvendo a filha do réu dentro do ambiente escolar. O homem acreditava que a estudante havia sido prejudicada em avaliações acadêmicas e também em uma visita técnica organizada pelo professor.
Nas mensagens anexadas ao processo, o condenado afirma que gostaria de resolver a situação “fora” da instituição e chega a dizer que pisaria no professor “de pé”. Em outro trecho, tenta justificar uma possível agressão alegando que depois o docente afirmaria ter sido atacado por ser homossexual.
As falas também fazem referência à discussão envolvendo a filha dele e o tema homofobia. Em uma das declarações, o homem ironiza o crime e minimiza as consequências judiciais das ameaças.
Durante interrogatório, o acusado confirmou ter enviado os dois áudios ao professor.
O docente procurou a polícia no dia seguinte e registrou boletim de ocorrência. À Justiça, relatou que passou semanas vivendo sob medo constante após as ameaças. Segundo o processo, ele evitava até sair de casa para passear com sua cachorra por receio de encontrar o agressor.
O professor também comunicou o caso à reitoria do instituto e antecipou um pedido de transferência para outra cidade. Em depoimento, afirmou que passou a viver em estado permanente de alerta e que recebeu orientação do delegado responsável para redobrar os cuidados com a própria segurança.
A defesa do réu alegou que as declarações ocorreram em meio a um momento de forte emoção e sustentou que não havia intenção real de intimidar o professor. O argumento, porém, não convenceu a Justiça, que reconheceu o teor discriminatório e ameaçador das mensagens.
O caso reforça o debate sobre violência motivada por preconceito e os impactos psicológicos sofridos por vítimas de ataques homofóbicos dentro e fora do ambiente educacional.








