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Recife

Operação contra tráfico de drogas, armas e homicídios mira líderes de facção criminosa no Grande Recife

Forças de segurança cumprem 11 mandados de prisão e 15 de busca e apreensão durante ofensiva contra organização suspeita de movimentar grandes quantias de dinheiro por meio de empresas de fachada.

Foto: Polícia Federal

Uma organização criminosa suspeita de comandar atividades relacionadas ao tráfico de drogas, assassinatos, negociação clandestina de armamentos e lavagem de dinheiro tornou-se alvo de uma operação policial realizada na manhã desta quinta-feira (29), em Pernambuco. A ofensiva mobilizou equipes de diferentes forças de segurança e teve como principais alvos integrantes apontados como responsáveis pela liderança e administração do grupo.

Batizada de Operação Frequência Zero, a ação foi coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Pernambuco (FICCO/PE). Ao todo, a Justiça autorizou 11 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Criminal da Comarca da Capital.

Segundo as investigações, a estrutura criminosa mantinha atividades em diferentes pontos do Recife e de municípios da Região Metropolitana. Os investigadores identificaram uma divisão de responsabilidades entre os suspeitos, com integrantes exercendo funções de comando e gerenciamento das operações ilegais.

Investigação aponta atuação em oito localidades do Grande Recife

As apurações identificaram a presença do grupo em bairros populosos da capital pernambucana, incluindo Ibura, Casa Amarela e Boa Viagem. Em Jaboatão dos Guararapes, foram identificadas atividades nos bairros de Cavaleiro e UR-2.

A investigação também alcançou os municípios de Camaragibe, São Lourenço da Mata, Olinda e Cabo de Santo Agostinho, indicando que a organização possuía uma área de atuação distribuída por diferentes regiões metropolitanas.

De acordo com as autoridades, os suspeitos investigados nesta etapa ocupavam posições estratégicas na estrutura criminosa. As atividades atribuídas ao grupo incluem tráfico de entorpecentes em larga escala, comércio ilegal de armas de fogo de grosso calibre e participação em homicídios.

Além dos crimes violentos, os investigadores identificaram indícios de operações financeiras destinadas a esconder recursos provenientes das atividades ilegais.

Empresas de fachada eram utilizadas para ocultar dinheiro, aponta investigação

Um dos principais eixos da Operação Frequência Zero envolve a movimentação financeira da organização. Conforme a FICCO/PE, o grupo teria movimentado valores expressivos nos últimos anos, utilizando mecanismos para dificultar a identificação da origem e dos verdadeiros proprietários dos recursos.

Entre as estratégias investigadas estão a utilização de empresas de fachada e a movimentação de dinheiro por contas bancárias registradas em nome de terceiros.

Essas práticas, segundo a investigação, permitiam dissimular operações financeiras e dificultar o rastreamento de bens, direitos e valores associados às atividades criminosas.

A identificação desses mecanismos é considerada importante para atingir não apenas os integrantes da organização, mas também sua capacidade de financiar e manter as operações ilegais.

Operações anteriores identificaram irregularidades no sistema prisional de Igarassu

A investigação que resultou na ofensiva desta quinta-feira foi desenvolvida a partir de informações reunidas em três operações policiais anteriores.

Os dados foram obtidos durante as operações Manguezais, realizada em 2022; La Catedral, em 2024; e Sintonia Fina, deflagrada em 2025.

Essas investigações já haviam identificado irregularidades relacionadas ao sistema prisional de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife. A análise conjunta dos elementos permitiu aprofundar o conhecimento sobre a estrutura e as atividades atribuídas à organização criminosa.

Com o avanço das apurações, as autoridades identificaram suspeitos que exerceriam funções de liderança, possibilitando a solicitação das medidas judiciais executadas nesta nova etapa.

Operação reúne policiais de Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro

A ação contou com a participação integrada de instituições de segurança pública de Pernambuco, além de equipes da FICCO do Rio de Janeiro e da Paraíba.

Também participaram o Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e o Grupo de Operações Especiais (GOE), ambos vinculados à Polícia Civil de Pernambuco.

A FICCO/PE reúne profissionais da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria de Defesa Social, Secretaria de Administração Penitenciária de Pernambuco e Secretaria Nacional de Políticas Penais.

A atuação conjunta busca ampliar a capacidade de investigação e repressão às organizações criminosas, especialmente aquelas que mantêm atividades em diferentes municípios e utilizam estruturas financeiras para sustentar operações ilegais.

Os investigados poderão responder, conforme a participação individual apurada, por crimes de organização criminosa, homicídio, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de capitais.

Com a Operação Frequência Zero, as autoridades pretendem enfraquecer a estrutura financeira e operacional do grupo, além de interromper atividades atribuídas às suas principais lideranças. O material divulgado não detalha quantos mandados de prisão foram efetivamente cumpridos nem a identidade dos investigados.

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