
Os bastidores da política de Gravatá entraram em ebulição desde que a primeira-dama Viviane Facundes confirmou publicamente, em entrevista à Rádio Clima FM, sua condição de pré-candidata. A declaração funcionou como um estopim e intensificou tensões que, até então, circulavam de forma mais discreta nos corredores do poder local.
Casada com o prefeito do município, Viviane ocupa há dois anos a Secretaria de Obras, uma pasta historicamente comandada por homens. Segundo ela, a visibilidade e o protagonismo no cargo têm sido acompanhados por episódios de perseguição política, motivados tanto por disputas de poder quanto pelo fato de ser mulher em uma posição estratégica da gestão.
O cenário ficou ainda mais sensível após Viviane tornar pública a intenção de se filiar ao PSD, legenda comandada em Pernambuco pela governadora Raquel Lyra. O movimento foi interpretado como um reposicionamento político de peso e caiu como combustível sobre a insatisfação de adversários, que passaram a reagir de forma mais ostensiva.
Nos últimos dias, a Câmara Municipal de Gravatá convocou a secretária para uma espécie de prestação de contas, ainda sem data definida. Embora o instrumento seja legal, aliados veem a iniciativa como parte de um ambiente de pressão crescente, intensificado após o anúncio da pré-candidatura e da possível mudança partidária.
Internamente, a leitura é clara: Viviane incomoda. O capital político do grupo ao qual pertence segue robusto, impulsionado pela expressiva votação obtida pelo prefeito nas eleições de 2024, quando somou 32.888 votos. Dois anos depois, a avaliação é de que parte desse grupo trabalha para manter o projeto político ativo e fortalecido, mirando disputas futuras.
Embora não haja possibilidade legal de Viviane disputar a Prefeitura em 2028, aliados avaliam que sua consolidação eleitoral pode pavimentar outros caminhos, como uma candidatura à Câmara Municipal. Nos bastidores, já se fala inclusive na ambição de, no futuro, presidir a Casa Elias Torres, símbolo do poder legislativo local.
Com movimentos calculados, reações imediatas da oposição e um discurso que mistura denúncia de perseguição e afirmação de protagonismo, Viviane Facundes passa a ocupar o centro do tabuleiro político de Gravatá. E, ao que tudo indica, o barulho nos bastidores está longe de cessar.
