Nova espécie de tubarão capaz de caminhar fora d’água é descoberta na Oceania

Uma nova espécie de tubarão capaz de caminhar fora d’água foi identificada em águas rasas do sudeste da Papua Nova Guiné, na Oceania. O animal utiliza as quatro nadadeiras como apoio para se deslocar sobre recifes durante períodos de maré baixa.
Batizado de Hemiscyllium dudgeonae, o tubarão mede aproximadamente um metro, possui hábitos noturnos e se alimenta de invertebrados encontrados no fundo do mar. A espécie não é considerada perigosa para seres humanos.
A descoberta ocorreu durante um mergulho noturno na Baía de Milne. Os pesquisadores analisavam populações de tubarões conhecidos pela capacidade de caminhar quando perceberam que um dos animais apresentava características diferentes.
O novo tubarão possui o corpo marrom com traços brancos, padrão distinto das manchas semelhantes às de um leopardo observadas em espécies próximas. Ao longo de três noites de buscas, a equipe encontrou 12 indivíduos com a mesma aparência.
A confirmação de que se tratava de uma espécie ainda desconhecida ocorreu após análises genéticas. O animal também recebeu o nome local de kadedekedewa, que pode ser traduzido como “tubarão-cão” ou “tubarão preguiçoso”, em referência à forma lenta como se movimenta.
Esta é a primeira nova espécie do gênero Hemiscyllium identificada desde 2013 e a décima conhecida até o momento.
Apesar da descoberta, pesquisadores demonstraram preocupação com a sobrevivência do animal. A espécie vive apenas em uma pequena área da Papua Nova Guiné, condição que aumenta a vulnerabilidade diante da destruição do habitat, da pesca predatória e das mudanças climáticas.
Uma nova expedição está prevista para outubro, quando serão coletadas mais informações sobre a população e o ambiente em que o tubarão vive. Os dados poderão ajudar na definição do nível de ameaça enfrentado pela espécie.
Das dez espécies conhecidas dessa família, cinco já são consideradas ameaçadas. A distribuição geográfica restrita, característica do novo tubarão, é observada em apenas 3% das espécies de tubarões existentes no mundo.



