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Internacional

Navi Pillay ganha Nobel da Paz aos 85 anos e provoca reação dos Estados Unidos e de Israel

Juíza sul-africana foi reconhecida pela defesa dos direitos humanos e pelo combate a crimes de guerra; premiação gerou críticas do governo israelense.

UN Photo/Jean Marc Ferré

A jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, foi anunciada como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026, em reconhecimento à sua trajetória na defesa dos direitos humanos e no fortalecimento da justiça internacional. A escolha provocou reações dos governos dos Estados Unidos e de Israel, especialmente por suas posições sobre a guerra na Faixa de Gaza.

O Comitê Nobel Norueguês destacou a contribuição de Pillay para a responsabilização de envolvidos em genocídios, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Ao longo de sua carreira, ela atuou na Suprema Corte da África do Sul, no Tribunal Penal Internacional para Ruanda e no Tribunal Penal Internacional (TPI), além de ocupar o cargo de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Mais recentemente, a jurista presidiu uma comissão independente da ONU responsável por investigar violações de direitos humanos nos territórios palestinos ocupados. Durante esse trabalho, utilizou o termo genocídio para caracterizar ações militares israelenses na Faixa de Gaza, posicionamento que gerou críticas do governo de Israel.

Estados Unidos e Israel reagem à premiação

Poucas horas depois do anúncio, os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra o Tribunal Penal Internacional. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, acusou a instituição de agir de maneira inadequada e ameaçou adotar medidas para restringir suas operações financeiras.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também criticou a escolha de Pillay, acusando a jurista de parcialidade contra judeus. O Ministério das Relações Exteriores de Israel publicou uma manifestação contundente contra a premiação.

Em resposta às sanções americanas, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou as medidas como inaceitáveis e defendeu a independência das instituições internacionais responsáveis pela investigação de violações graves.

Jurista recebeu notícia em local histórico

Navi Pillay estava em Nuremberg, na Alemanha, participando de um evento sobre justiça e reparação quando soube que havia conquistado o Nobel da Paz.

A notícia foi comunicada na histórica Sala 600 do Palácio de Justiça, onde dirigentes nazistas foram julgados após a Segunda Guerra Mundial. Surpresa com o anúncio, a jurista afirmou ter ficado profundamente emocionada e honrada pelo reconhecimento.

Ao receber aplausos dos participantes, Pillay ainda brincou com a possibilidade de dividir o prêmio com o presidente americano Donald Trump, provocando risadas entre os presentes.

A premiação reforça o debate internacional sobre a atuação dos tribunais responsáveis por investigar crimes de guerra e a necessidade de garantir mecanismos de responsabilização por violações dos direitos humanos.

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