“Não vou abaixar a cabeça”, diz João Campos ao criticar autoritarismo

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), fez duras críticas ao que classificou como práticas autoritárias e perseguição política durante a inauguração de uma creche na Zona Norte da cidade, na quarta-feira (4). Sem citar nomes, o gestor afirmou que não governa movido por confrontos ou vigilância contra adversários.
Em discurso no evento realizado na Ilha de Joaneiro, no bairro de Campo Grande, João Campos disse que não estaria entregando equipamentos públicos se escolhesse gastar energia perseguindo pessoas, provocando embates políticos ou atacando instituições. A fala foi interpretada como um recado direto a adversários e a setores do poder público.
As declarações ocorreram após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou à Polícia Federal a apuração de um suposto monitoramento indevido realizado pela Polícia Civil de Pernambuco contra aliados do prefeito.
Reportagem exibida na televisão apontou que o secretário de Articulação Política e Social do município, Gustavo Monteiro, estaria entre as pessoas monitoradas. O caso passou a repercutir nos bastidores políticos do estado e ampliou a tensão institucional.
Durante o discurso, João Campos reforçou que não se deixará intimidar. Segundo ele, não há espaço para aceitar atos que violem a lei ou atentem contra a democracia. O prefeito afirmou que seguirá exercendo o mandato com foco em entregas e políticas públicas, sem ceder a pressões.
O chefe do Executivo municipal também recorreu à história familiar para contextualizar a fala. Ele lembrou que o bisavô, Miguel Arraes, então governador de Pernambuco, foi forçado ao exílio após o golpe militar de 1964. Recordou ainda que o pai, o ex-governador Eduardo Campos, não pôde usar o sobrenome “Arraes” durante parte da vida por conta da perseguição imposta pela ditadura.
A fala do prefeito ocorre em um momento de forte tensão política no estado e deve ter novos desdobramentos a partir do avanço das investigações determinadas pelo STF.



